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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

MANOEL DE BARROS



Minha mae me deu um rio.
Era dia de meu aniversa'rio e ela nao sabia o que me presentear.
Fazia tempo que os mascates nao passavam naquele lugar esquecido.
Se o mascate passasse a minha mae compraria rapadura
Ou bolachinhas para me dar.
Mas como nao passara o mascate, minha mae me deu um rio.
Era o mesmo rio que passava atras de casa.
Eu estimei o presente mais do que fosse uma rapadura do mascate.
Meu irmao ficou magoado porque ele gostava do rio igual os outros.
A mae prometeu que no aniversario do meu irmao
Ela iria dar uma arvore para ele.
Uma que fosse coberta de passaros.
...
...
...

Manoel de Barros



http://www.campograndenews.com.br/lado-b/artes-23-08-2011-08/o-coracao-de-manoel-de-barros-parou-depois-de-meses-sem-vontade-de-viver

13/11/2014 09:12

O coração de Manoel de Barros parou, depois de meses sem vontade de viver

Ângela Kempfer
Manoel em casa, ainda em tempos de vitalidade. (Foto de Marcelo Buainain)Manoel em casa, ainda em tempos de vitalidade. (Foto de Marcelo Buainain)
Não existe a morte para alguém como Manoel de Barros. Não cabe bem, até por sinal de respeito. O poeta nunca gostou que colocassem data na existência. Então, o dia é de mais uma daquelas inutilezas que a vida inventa e que ele por tantas vezes substantivou.
O coração parou por volta das 8h05 desta quinta-feira, no Proncor, depois de 6 meses em estado de ruína, como ele mesmo definia os efeitos dos 97 anos de idade, quase 98, que seriam comemorados no dia 19 de dezembro. O velório será no Parque das Primaveras, mas ainda não há horário definido.
"Nesses últimos dias não reconhecia mais ninguém", diz o irmão Abílio Leite de Barros, de 85 anos. Mas a debilidade veio de forma lenta, lembra ele. "Não foi doença, foi a velhice que se agravou nos últimos 6 meses. Acabou com a falência múltipla de órgãos", detalha.
No dia 3 de novembro, Manoel chegou a ser internado para cirurgia de desobstrução intestinal. Depois, permaneceu na UTI, já sem reconhecer os parentes.
Para a família, é uma despedida preparada desde que o próprio Manoel manifestou a vontade de morrer. "Ele já não era mais capaz de ler e escrever e me disse que depois disso não valia mais a pena viver", conta Abílio.
Os últimos meses foram em uma cama ou na cadeira de rodas, em casa, se alimentando por sonda, auxiliado por 4 enfermeiros, sem lápis ou leitura, sem falar ou andar. Ironicamente, por fim ficou como vegetal.
Manoel sofreu pelas doenças do corpo e da alma, desbotada pela perda dos dois filhos homens. Pedro se foi em em 2013. Antes, João Wenceslau de Barros partiu, em decorrência de um acidente aéreo em 2005. Nunca mais o poeta teve muitas vontades.
"Manoel não termina nunca. A sua vida tornou-se a Vida, transferiu-se para a palavra encantada que ele criou, para esse 'errar bonito' que os seus versos sugerem", resume de maneira simples o moçambicano Mia Couto, ao se despedir do poeta.
O escritor se dedica aos contos, é considerado um dos maiores da língua portuguesa e tem, dentre tantos reconhecimentos, o Prêmio Camões de Literatura. O que ele escreve, por muitas vezes é comparado à simplicidade de Manoel. A relação com os últimos dias do poeta aparece em frases curtas, impressas na literatura de Mia. "Dói-me a vida, doutor", diz trecho do livro "O menino que escrevia versos".
Foto de Marcelo Buainain, um vizinho que hoje fotografa o mundo.Foto de Marcelo Buainain, um vizinho que hoje fotografa o mundo.
Apesar de toda a tristeza diante da notícia (sem a graça das invencionices) é bom lembrar que Manoel sabia que o tempo só anda de ida e que, esperto, amarrou o dito cujo no poste para jamais ser esquecido.
A sorte, é que antes de partir, nos mostrou o que está sob a pedra. Despertou emoções sobre o bruto. Levantou o que todo mundo chuta para chamar atenção ao sentimento e sugerir paciência de lesma ao olhar apressado. Vegetalizou as pessoas, com simplicidade profunda, como os amigos costumam definir.
Nasceu em Cuiabá (MT), no Beco da Marinha, na beira do rio, mas veio criança para estas bandas e é nosso sul-mato-grossense de fato, morador ilustre da Rua Piratininga, no Jardim dos Estados.
Aqui, tirou o homem do centro das atenções para falar de sapos, formigas, cobras e gotas d'água. "Poderoso não é quem descobre ouro, mas quem descobre as insignificâncias". Falando assim seguiu uma vida toda, dando lições de humildade. Admirava Charlie Chaplin, por exemplo, por ele ter “monumentado" o vagabundo.
Conversava, pessoalmente ou por telefone, com quem o chamasse para uma prosa. Uma rotina que terminou há cerca de 2 anos, quando o contato ficou restrito à família e aos enfermeiros, por conta do estado de saúde de Manoel que o trancava em casa. Nem sequer um autógrafo mais conseguia desenhar.
A amiga Glorinha Sá Rosa há muito não via Manoel, mas a morte trouxe lembranças de um sujeito surpreendente. “Ele era muito tímido. Chegou a vomitar certa vez, antes de uma palestra em Cuiabá, e desistiu de falar naquele dia”.
Outra passagem é cheia de significados sobre o ser Manoel e envolve um ídolo do poeta. “Ele conseguiu marcar uma conversa com o Manuel Bandeira, poeta que ele amava. Na data combinada, foi até o endereço, apertou a campainha, mas diz que ouviu os passos do Manuel Bandeira rumo à porta, ficou com tanto medo que saiu correndo. Por isso, os dois nunca se encontraram”, conta Glorinha.
Arrumou vários empregos, inclusive, de corretor de imóveis, mas achava chato. Permaneceu por 10 anos no Pantanal à toa e ali começou a armazenar poesia na memória. Mas as obras que o levaram ao reconhecimento só vieram mesmo depois dos 60 anos, já com morada em Campo Grande.
Preferia ser poeta a ser jornalista ou advogado. Porque “quem descreve não é dono do assunto, quem inventa é”. E, afinal, “as invenções servem pra aumentar o mundo.”
Era vaidoso, adorava os elogios, principalmente, os das mulheres. Brincava, com bom-humor sincero, a desilusão de só ficar famoso depois de velho, quando Millôr Fernandes escreveu sobre um poeta “de verdade” que o Brasil desconhecia. Logo em seguida, a revista “El Paseante” publicou na Espanha a primeira matéria destacando a poesia dele.
No trajeto, Manoel teve como um dos maiores trunfos a esposa e conselheira Stella, 5 anos mais nova. Uma senhorinha que ainda anda de Fusca e chegou a brigar certa vez com o marido por conta de uma poesia que julgou desrespeitosa por falar do sexo de Nossa Senhora Aparecida.
Os dois se conheceram no Rio de Janeiro, quando o corretor Manoel de Barros tentava vender uma apartamento para Stella. "O casamento me salvou. Há muito não me interessava por nenhum homem", dizia a esposa.
Virou o autor que mais vendeu poesias no País. Ganhou fãs apaixonados, que ao publicar de uma reportagem sobre o velho Maneu respondiam à repórter com dezenas de comentários e pedidos para encontros e autógrafos do nosso mais querido personagem. "Isso satisfaz mais do que critico, mestrado ou doutorado", comemorava.
Quando ficou “famoso” passou a despertar na imprensa especializada o interesse por entrevistas e então criou, bem sem querer, a aversão à máquina, a tudo que não dialoga, como um gravador ou um microfone. Nunca trocou a máquina de escrever pelo computador e correspondência, na visão dele, só vingava como carta, entregue pelo carteiro.
O jornalista Bosco Martins há muito começou a se despedir do amigo. Era ele o responsável por alguns “boletins médicos” relativos ao poeta. Com o passar dos dias e a fragilidade cada vez mais evidente, passou a dar conselhos aos fãs: “devemos nos acostumar ao ser letral”.
E nesse aspecto, muito está por vir. Manoel não deixou ninguém órfão. A obra dele agora será editada pela Alfaguara, que planeja homenagens ao poeta em 2015 e, de tabela, dar um alento aos fãs.
Antes de partir, teve a oportunidade de deixar como despedida o orgulho de ser lido, amado e lembrado graças à poesia. "O ser biológico é sujeito à variação do tempo, o poeta não", ensinou Manoel.

"Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos..."


imagem transparente

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

If we wait ...

Carta para Alguém !!!



IL CORPO GRIDA... 

Quello Che La Bocca Tace... 

La malattia è un conflitto tra la personalità e l'anima

Molte volte... Il raffreddore "cola" quando il corpo non piange... 


Il dolore di gola "tampona" quando non è possibile comunicare le afflizioni.

Lo stomaco "arde" quando le rabbie non riescono ad uscire. 


Il diabete "invade" quando la solitudine duole. 

Il corpo "ingrassa" quando l'insoddisfazione stringe. 

Il mal di testa "deprime" quando i dubbi aumentano. 

Il cuore "allenta" quando il senso della vita sembra finire. 

Il petto "stringe" quando l'orgoglio schiavizza. 

La pressione "sale" quando la paura imprigiona. 

Le nevrosi "paralizza" quando il bambino interno tiranneggia. 

La febbre "scalda" quando le difese sfruttano le frontiere dell'immunità. 

Le ginocchia "dolgono" quando il tuo orgoglio non si piega. 

Il cancro "ammazza" quando ti stanchi di vivere. 

Ed i tuoi dolori silenziosi? Come parlano nel tuo corpo? 

La malattia non è cattiva, ti avvisa che stai sbagliando cammino. 

Mi sembra bello condividere questo messaggio: 

LA STRADA PER LA FELICITÀ NON È DRITTA. 

Esistono curve chiamate Equivoci. 

Esistono semafori chiamati Amici. 

Luci di sicurezza chiamate Famiglia. 

E tutto si compie se hai: una ruota di scorta chiamato Decisione. 

Un potente motore chiamato Amore. 

Una buona assicurazione chiamata Fede. 

E abbondante carburante chiamato Pazienza...


GIOVANNI TANCREDI

http://it.wikipedia.org/wiki/Giovanni_Tancredi_(storico)

terça-feira, 11 de novembro de 2014

LIVROS 8/2014




89. A Gesta do Príncipe Igor
[ Slovo o Polku Igorevie ]
Época Medieval Russa
Edições Cotovia
Lisboa, 1992

90. Fiódor Dostoiévski
Noites Brancas
Clube do Autor

91. Miguel de Unamuno
Portugal, Povo de Suicidas
Letra Livre

92. Orfeu Canta 
Pequena Antologia de Poesia Portuguesa sobre música organizada por José da Cruz Santos 
Edição Modo de Ler 

93. Patricia Maria de Almeida 
Contos de 7 a 70
Chiado Editora 

94. João Castel-Branco Pereira 
As escolhas do Director
Museu Calouste Gulbenkian 

95.Mia Couto 
Estórias Abensonhadas
Editorial Caminho 

96. Lao Tse 
Tao Te King
Tradução e Comentários de 
António Miguel de Campos 
Editora Relógio D'Água 

97. Eugénio de Andrade
As Palavras Interditas
Até Amanhã 
Editora Assírio & Alvim

98. Eugénio de Andrade
Obscuro Domínio 
Editora Assírio & Alvim

99. Sófocles 
Filoctetes
Fundação Calouste Gulbenkian

100. Sófocles 
Ájax
Fundação Calouste Gulbenkian 

101. Cícero 
As Catilinárias 
Tradução Sebastião Tavares de Pinho
Edições 70

102. Emily Dickinson 
80 poemas
Tradução Jorge de Sena 
Guimarães Editores 

103. Emily Dickinson 
100 Poemas 
Tradução Ana Luísa Amaral
Relógio D'Água Editores

104. W.B.Yeats 
Os Pássaros Brancos e Outros Poemas
Tradução de Maria de Lourdes Guimarães e Laureano Silveira 
Relógio D'Água Editores 

105. Lêdo Ivo
Antologia Poética
Seleção de Albano Martins 
Edições Afrontamento 





segunda-feira, 10 de novembro de 2014

GERALDO MARIBONDO !!!



Dizem que família a gente não escolhe,
dizem que quem ama cuida; 
o que me assusta é pensar que só eu quem amou nas minhas relações. 
Dizem que o tempo sempre cura; 
chato é o tempo só ficar curando, 
nunca trazer algo que não machuque; 
Dizem que tudo que é verdadeiro volta; 
minha aflição é me conformar com essa ideia de partida, 
o verdadeiro ir embora me parece tão contraditório. 
Dizem que as pessoas gostam do que não tem certeza;
 cruel é não saber mascarar sentimentos. 
Dizem que liberdade é pouco; 
lamentável é essa supervalorização da liberdade e desvalorização do amor. 
Dizem que quem gosta corre atrás; 
o que me assusta é duvidar de sentimentos 
porque as atitudes não estão de acordo com os padrões.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

DANTE HELL 1



IN the midway of this our mortal life,
I found me in a gloomy wood, astray
Gone from the path direct: and e’en to tell
It were no easy task, how savage wild
That forest, how robust and rough its growth,
Which to remember only, my dismay
Renews, in bitterness not far from death.
Yet to discourse of what there good befell,
All else will I relate discover’d there.
How first I enter’d it I scarce can say,
Such sleepy dullness in that instant weigh’d
My senses down, when the true path I left,
But when a mountain’s foot I reach’d, where clos’d
The valley, that had pierc’d my heart with dread,
I look’d aloft, and saw his shoulders broad
Already vested with that planet’s beam,
Who leads all wanderers safe through every way.
Then was a little respite to the fear,
That in my heart’s recesses deep had lain,
All of that night, so pitifully pass’d:
And as a man, with difficult short breath,
Forespent with toiling, ’scap’d from sea to shore,
Turns to the perilous wide waste, and stands
At gaze; e’en so my spirit, that yet fail’d
Struggling with terror, turn’d to view the straits,
That none hath pass’d and liv’d.  My weary frame
After short pause recomforted, again
I journey’d on over that lonely steep,
The hinder foot still firmer.  Scarce the ascent
Began, when, lo!  a panther, nimble, light,
And cover’d with a speckled skin, appear’d,
Nor, when it saw me, vanish’d, rather strove
To check my onward going; that ofttimes
With purpose to retrace my steps I turn’d.
The hour was morning’s prime, and on his way
Aloft the sun ascended with those stars,
That with him rose, when Love divine first mov’d
Those its fair works:  so that with joyous hope
All things conspir’d to fill me, the gay skin
Of that swift animal, the matin dawn
And the sweet season.  Soon that joy was chas’d,
And by new dread succeeded, when in view
A lion came, ’gainst me, as it appear’d,
With his head held aloft and hunger-mad,
That e’en the air was fear-struck.  A she-wolf
Was at his heels, who in her leanness seem’d
Full of all wants, and many a land hath made
Disconsolate ere now.  She with such fear
O’erwhelmed me, at the sight of her appall’d,
That of the height all hope I lost.  As one,
Who with his gain elated, sees the time
When all unwares is gone, he inwardly
Mourns with heart-griping anguish; such was I,
Haunted by that fell beast, never at peace,
Who coming o’er against me, by degrees
Impell’d me where the sun in silence rests.
While to the lower space with backward step
I fell, my ken discern’d the form one of one,
Whose voice seem’d faint through long disuse of speech.
When him in that great desert I espied,
“Have mercy on me!”  cried I out aloud,
“Spirit!  or living man!  what e’er thou be!”
He answer’d:  “Now not man, man once I was,
And born of Lombard parents, Mantuana both
By country, when the power of Julius yet
Was scarcely firm.  At Rome my life was past
Beneath the mild Augustus, in the time
Of fabled deities and false.  A bard
Was I, and made Anchises’ upright son
The subject of my song, who came from Troy,
When the flames prey’d on Ilium’s haughty towers.
But thou, say wherefore to such perils past
Return’st thou?  wherefore not this pleasant mount
Ascendest, cause and source of all delight?”
“And art thou then that Virgil, that well-spring,
From which such copious floods of eloquence
Have issued?”  I with front abash’d replied.
“Glory and light of all the tuneful train!
May it avail me that I long with zeal
Have sought thy volume, and with love immense
Have conn’d it o’er.  My master thou and guide!
Thou he from whom alone I have deriv’d
That style, which for its beauty into fame
Exalts me.  See the beast, from whom I fled.
O save me from her, thou illustrious sage!
For every vein and pulse throughout my frame
She hath made tremble.”  He, soon as he saw
That I was weeping, answer’d, “Thou must needs
Another way pursue, if thou wouldst ’scape
From out that savage wilderness.  This beast,
At whom thou criest, her way will suffer none
To pass, and no less hindrance makes than death:
So bad and so accursed in her kind,
That never sated is her ravenous will,
Still after food more craving than before.
To many an animal in wedlock vile
She fastens, and shall yet to many more,
Until that greyhound come, who shall destroy
Her with sharp pain.  He will not life support
By earth nor its base metals, but by love,
Wisdom, and virtue, and his land shall be
The land ’twixt either Feltro.  In his might
Shall safety to Italia’s plains arise,
For whose fair realm, Camilla, virgin pure,
Nisus, Euryalus, and Turnus fell.
He with incessant chase through every town
Shall worry, until he to hell at length
Restore her, thence by envy first let loose.
I for thy profit pond’ring now devise,
That thou mayst follow me, and I thy guide
Will lead thee hence through an eternal space,
Where thou shalt hear despairing shrieks, and see
Spirits of old tormented, who invoke
A second death; and those next view, who dwell
Content in fire, for that they hope to come,
Whene’er the time may be, among the blest,
Into whose regions if thou then desire
T’ ascend, a spirit worthier then I
Must lead thee, in whose charge, when I depart,
Thou shalt be left:  for that Almighty King,
Who reigns above, a rebel to his law,
Adjudges me, and therefore hath decreed,
That to his city none through me should come.
He in all parts hath sway; there rules, there holds
His citadel and throne.  O happy those,
Whom there he chooses!”  I to him in few:
“Bard!  by that God, whom thou didst not adore,
I do beseech thee (that this ill and worse
I may escape) to lead me, where thou saidst,
That I Saint Peter’s gate may view, and those
Who as thou tell’st, are in such dismal plight.”
Onward he mov’d, I close his steps pursu’d.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

VIDA 2




Vida estava guardada num cofre, era muito preciosa para estar por aí solta, com tanta violência solta, era melhor deixar ela bem guardada, se possível com algum vigilante, para não deixar ela se arriscar num mundo tão selvagem. 

Vida cresceu assim protegida do tempo, do ar, do mar, das intempéries, do mau humor, do bom humor, devagar ela foi achando que era normal estar sozinha, contemplando a televisão, lendo um livro, pegando um vídeo de vez em quando.

Vida tão cheia de vida não percebia que se perdia, 
de dia, de tarde, de noite, de madrugada...

Vivia daquela maneira. 
Um dia resolveu escrever um texto, talvez poderia se transformar em livro, mas isso não era relevante, ela queria apenas contar um pouco, como era a vida dela, talvez alguém pudesse compartilhar aquelas emoções. Essa talvez fosse a maior vontade.

É preciso fugir ....





"De repente você resolve: fugir.
Não sabe para onde nem como nem por quê
(no fundo você sabe a razão de fugir; nasce com a gente).

É preciso fugir.
Sem dinheiro sem roupa sem destino.
Esta noite mesmo.
Quando os outros estiverem dormindo.
Ir a pé, de pés nus.
Calçar botina era acordar os gritos
que dormem na textura do soalho.

Levar pão e rosca para o dia.
Comida sobra em árvores infinitas,
do outro lado do projeto:
um verdor eterno, frutescente (deve ser).
Tem à beira da estrada, numa venda.
O dono viu passar muitos meninos
que tinham necessidade de fugir
e compreende.
Toda estrada:
uma venda para a fuga.

Fugir rumo da fuga
que não se sabe onde acaba
mas começa em você, ponta dos dedos.
Cabe pouco em duas algibeiras
e você não tem mais do que duas.
Canivete, lenço, figurinhas
de que não vai se separar
(custou tanto a juntar).
As mãos devem ser livres
para pessoas, trabalhos, onças
que virão.

Fugir agora ou nunca.
Vão chorar, vão esquecer você?
ou vão lembrar-se?
(lembrar é que é preciso,
compensa toda fuga)
ou vão amaldiçoá-lo, pais da bíblia?

Você não vai saber.
Você não volta nunca.
(essa palavra nunca, deliciosa)
Se irão sofrer, tanto melhor.
Você não volta nunca nunca nunca.

E será esta noite,
meia-noite em ponto.
Você dormindo à meia noite."

(Carlos Drummond de Andrade)


terça-feira, 4 de novembro de 2014

BALADA PARA UN LOCO - Piazzola & Goyeneche




Las tardecitas de buenos aires tienen ese que se yo, viste?
Salgo de casa por arenales, lo de siempre en la calle y en mi
Cuándo, de repente, detras de un árbol, se aparece el
Mezcla rara de penultimo linyera
Y de primer polizonte en el viaje a venus
Medio melón en la cabeza
Las rayas de la camisa pintadas en la piel
Dos medias suelas clavadas en los pies
Y una banderita de taxi libre levantada en cada mano
Parece que solo yo lo veo
Porque él pasa entre la gente y los maniquíes le guiñan
Los semáforos le dan tres luces celestes
Y las naranjas del frutero de la esquina
Le tiran azahares
Y así, medio bailando y medio volando
Se saca el melón, me saluda
Me regalo una banderita y me dice:
Ya sé que estoy piantao, piantao, piantao
No ves que va la luna rodando por callao
Que un corso de astronautas y niños, con un vals
Me baila alrededor, ¡bailá! ¡vení! ¡volá!
Ya sé que estoy piantao, piantao, piantao
Yo miro a buenos aires del nido de un gorrión
Y a vos te vi tan triste... ¡vení! ¡volá! ¡sentí!
El loco berretín que tengo para vos
¡Loco! ¡loco! ¡loco!
Cuando anochezca en tu porteña soledad
Por la ribera de tu sábana vendré
Con un poema y un trombón
A desvelarte el corazón
¡Loco! ¡loco! ¡loco!
Como un acróbata demente saltaré
Sobre el abismo de tu escote hasta sentir
Que enloquecí tu corazón de libertad
¡Ya vas a ver!
Y asi diziendo, el loco me convida
A andar en su ilusión super-sport
Y vamos a correr por las cornisas
¡Con una golondrina en el motor!
De vieytes nos aplauden: "¡viva! ¡viva!"
Los locos que inventaron el amor,
Y un ángel y un soldado y una niña
Nos dan un valsecito bailador
Nos sale a saludar la gente linda
Y loco, pero tuyo, ¡qué sé yo!:
Provoca campanarios con su risa
Y al fin, me mira, y canta a media voz:
Quereme así, piantao, piantao, piantao
Trepate a esta ternura de locos que hay en mí
Ponete esta peluca de alondras, ¡y volá!
¡Volá conmigo ya! ¡vení, volá, vení!
Quereme así, piantao, piantao, piantao
Abrite los amores que vamos a intentar
La mágica locura total de revivir
¡Vení, volá, vení! ¡trai-lai-la-larará!
¡Viva! ¡viva! ¡viva!
Loca el y loca yo
¡Locos! ¡locos! ¡locos!
¡Loca el y loca yo





segunda-feira, 3 de novembro de 2014