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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

OLAVO BILAC (1865-1918)





Ora (direis) ouvir estrelas! Certo

Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,

Que, para ouvi-las, muita vez desperto

E abro as janelas, pálido de espanto...



E conversamos toda a noite, enquanto 

A via-láctea, como um pálio aberto, 

Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, 

Inda as procuro pelo céu deserto.



Direis agora: "Tresloucado amigo! 

Que conversas com elas? Que sentido 

Tem o que dizem, quando estão contigo?"




E eu vos direi: "Amai para entendê-las! 

Pois só quem ama pode ter ouvido 

Capaz de ouvir e de entender estrelas".



http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.do?select_action=&co_autor=99


http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ua000252.pdf





segunda-feira, 19 de setembro de 2016

GONÇALVES DIAS



Canção do exílio


Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá; 
As aves, que aqui gorjeiam, 
Não gorjeiam como lá.


Nosso céu tem mais estrelas, 
Nossas várzeas têm mais flores, 
Nossos bosques têm mais vida, 
Nossa vida mais amores.


Em  cismar, sozinho, à noite, 
Mais prazer eu encontro lá; 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá.


Minha terra tem primores, 
Que tais não encontro eu cá; 
Em cismar sozinho, à noite 
Mais prazer eu encontro lá; 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá.


Não permita Deus que eu morra, 
Sem que eu volte para lá; 
Sem que disfrute os primores 
Que não encontro por cá; 
Sem qu'inda aviste as palmeiras, 
Onde canta o Sabiá.  
 

De Primeiros cantos (1847)

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

EUCLIDES DA CUNHA (1866-1909)




Servis!… dançai, folgai – na régia bacanália… 
Quadro-voz essa luz que nos raios espalha 
A treva e o crime atrai!…
Valsai – nesse delírio atroz, brutal que assombra - 
Folgai… a grande Luz espia-vos na sombra! 
Folgai, cantai – valsai!…
Que vos importa – ó vis, caricatos atletas - 
Se o povo dorme nu – nas lôbregas sarjetas - 
Entre o pântano e os Céus!….
Q’importa se essa luz – faz as noites da História! 
Q’importa se os heróis ‘stão entre a lama e a Glória 
Entre a miséria e Deus!…
Q’importa-vos a dor; – a lágrima brilhante 
Do seio dos heróis -, estrela palpitante 
Que ao céu do porvir vai…
Q’importa-vos a honra, a consciência, a crença, 
A justiça, o dever!?… ah! vossa febre é imensa! - 
Folga, folgai, folgai!…
Q’importa-vos a Pátria…a pátria – é-vos um nome!…. 
Q’importa-vos o povo – esse galé da fome - 
Ó cortesãos, ó rei!?
Se o olhar das barregãs, de amor e febre aceso 
Vos ferve dentro d’alma – e se o direito é preso 
Nessa grilheta – Lei!
Fazeis bem em rir – ó pequeninos seres… 
O crime, o vício e o mal são os vossos deveres - 
Avante pois – gozai…
Atufai-vos – rolai ó almas guarida - 
No abismo fundo e frio – o seio da perdida!… 
– Cantai… cantai, cantai!…
Gritai com força! assim… não percebeis agora 
O eco de vossa voz?… – de vossa voz sonora - 
Tremer na vastidão!?
Não ouvis as canções que o seu frêmito espalha?… 
Ele desce de Deus – ó dourada canalha - 
Ele é – Revolução!…

sábado, 6 de agosto de 2016

Алексей Иващенко, Ирина Богушевская - Девушка из Ипанемы.avi



Девушка Ипанемы

Смотри какая красивая

Какая грациозная
Эта девушка
Приходит и проходит
Её нежное покачивание, ходя к морю

Девушка золотого тела
Сольцем Ипанемы
Твое покачивание больше чем поэмы
Самая красивая вещь что уж видел я пройти

Ах, почему я так одинокий
Ах, почему всё так грустно
Ах, красота, что существует
Красота, которая не только моя
Которая также проходит сама

Ax, хоть б она узнала
Что, когда она проходит
Целый мир напольняется грацией
И становится красивее
Брагодаря любви

Translated by Érika Batista.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

JORGE DE LIMA




CANTO I

FUNDAÇÃO DA ILHA

6

A proa é que é,
é que é timão
furando em cheio,
furando em vão.

A proa é que é ave,
peixe de velas,
velas e penas,
tudo o que é a nave.

A proa é em si,
em si andada.
Ave poesia,
ela e mais nada.

Soa que soa
fendendo a vaga,
peixe que voa,
ave, voo, som.

Proa sem quilha,
ave em si e proa,
peixe sonoro
que em si reboa.

Peixe veleiro,
que tudo o deixe
ser só o que é:
anterior peixe.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

JORGE DE LIMA




CANTO I

FUNDAÇÃO DA ILHA

6

A proa é que é,
é que é timão
furando em cheio,
furando em vão.

A proa é que é ave,
peixe de velas,
velas e penas,
tudo o que é a nave.

A proa é em si,
em si andada.
Ave poesia,
ela e mais nada.

Soa que soa
fendendo a vaga,
peixe que voa,
ave, voo, som.

Proa sem quilha,
ave em si e proa,
peixe sonoro
que em si reboa.

Peixe veleiro,
que tudo o deixe
ser só o que é:
anterior peixe.

terça-feira, 26 de julho de 2016

INNOCÊNCIO VIÉGAS


Irmão Capilé: o beija-flor, a rosa e a saudade
Por Innocêncio Viégas
Dia 20 de julho do ano da graça de 2016, “Dia do Amigo”.
Telefonei para os mais próximos. Alguns atenderam, outros estavam “ocupados”, e grande parte deles, viajando em férias, me deixaram gravar a voz nas caixas postais dos telefones.
A manhã ainda era fria aqui nas montanhas do Velho Duca e não me animei a ir ao pomar regar as plantas. O galo “Cigano”, com o seu canto roquenho, tentava acordar o sol que, entre a névoa do alvorecer, teimava em não sair dos braços de Morfeu, o deus dos sonhos.
O dia passou no mesmo diapasão de sempre. A noite foi reconfortante e até sonhei com um velho relógio de parede que fora do meu saudoso pai. No sonho o carrilhão marcava meia-noite completa.
No dia seguinte – 21 – o telefone me tira do pomar onde aguava as plantas. Era o Eminente Irmão Robson Gouveia, que me avisava do passamento do Irmão Júlio Capilé. Logo um frio glacial percorreu-me a espinha dorsal, e o pensamento, como em um filme, me levou a ver o Dr. Capilé nas suas horas de candura e em suas palestras e discursos acadêmicos entre os seus pares e queridos Irmãos.
O pioneiro Dr. Capilé foi, sem dúvida, um dos primeiros médicos da cidade em construção. Por suas delicadas mãos nasceram centenas de crianças que viriam a ser os primeiros brasilienses da cidade de J.K.
Nas suas conversas comigo contava-me que inúmeras vezes o acordaram pela madrugada para socorrer uma parturiente que necessitava dos seus serviços. Obstetra que era, ajudou a ver a luz os futuros candanguinhos desta cidade monumento.
Capilé foi um mestre na Sublime Ordem, na Academia Maçônica e também nas letras. Escrevia constantemente suas crônicas para o jornal “O Progresso”, da cidade de Dourados – MS, nelas, era médico e pajé ao mesmo tempo, pois assim como falava cientificamente das doenças, ensinava remédios feitos com ervas e raízes. Romântico, vez por outra nos brindava com o seu lado poético. Em uma de suas crônicas lembrou sua professora em Ponta Porã: “Dona Jovelina Gomes era mansa como uma pomba e suave como a brisa da primavera”.
No prefácio – Proêmio – de um dos seus livros, o “Antigamente era assim”, escrevi: “Este homem que nasceu na roça, que arrancava o “mate” com as mãos, hoje, do alto dos seus quase 100 anos, escreve suas lembranças ao dedilhar um computador com a mesma perícia com que domava um burro xucro, fazendo inveja aos meninos de hoje que só conhecem como diversão os shoppings centers e a Internet”. Nesse livro ele seguia contando as suas histórias e falando das coisas de antigamente, de tantas saudades.
O grande Cícero nos disse: “quando morre um velho, se incendeia uma biblioteca”. Dr. Júlio era possuidor de uma cultura religiosa e secular que variava do barroco ao clássico. Sendo um dos expoentes da Comunhão Espírita de Brasília, levava sua palavra meiga e aliviava o sofrimento dos Irmãos que o procuravam.
Pai de família exemplar. Com sua alma gêmea, nossa cunhada Laís, com quem viveu por mais de 50 anos, teve duas filhas – Betânia e Betsáida – que lhes deram netos e genros. Capilé era um eterno enamorado, pois durante todo o tempo de sua convivência com Laís, oferecia-lhe diariamente uma linda flor, querendo assim perfumar o amor que nutria por ela.
A vida tem seus caprichos. Aquele que passou grande parte de sua existência ajudando crianças a chegarem ao mundo, parte agora para a sua última viagem em direção ao Oriente Eterno, depois de cumprir sua nobre missão.
A grande Mansão Celestial engalana-se para receber o Irmão Capilé. Seus amigos e Irmãos preparam-lhe uma grande recepção e receberão de suas mãos a flor que ele costumava colher todos os dias.
A manhã continua fria e nebulosa. Lá no jardim, um beija-flor solitário se encarrega de colher o néctar de todas as flores, deixando intocada apenas uma, é a que representa o seu eterno amor por Laís.
O Irmão Capilé é aquele beija-flor que voa serenamente para a vida espiritual, deixando conosco a imortal rosa da saudade.

Consumatum est.

sábado, 11 de junho de 2016

Bola de Meia, bola de gude




Bola de Meia, Bola de Gude

Milton Nascimento

Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão
Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão
E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito
Que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito
Caráter, bondade alegria e amor
Pois não posso
Não devo
Não quero
Viver como toda essa gente
Insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal
Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão
Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão

terça-feira, 7 de junho de 2016

Jorge de Lima



11

Um momento há na vida, de hora nula,
em que o poema vê tudo, viu, verá;
e a si mesmo, na cera em que se anula,
sob o fogo dos céus, consumir-se-á.

Há nas fomes dos tempos, uma gula,
umas vicitudes, fados, ah !
Há tempos em que o canto se modula
sob o sibilo de Cassandra má.

Vejo morrer, ó céus, em dura lei,
meus membros, minhas vísceras, meus ossos
sob as rosas de lava que inventei.

Antes que os lábios, amanhã, ó poema,
hirtos se calem, vossos, serão vossos,
esses cânticos de renunciação.

Jorge de Lima
Canto VI
CANTO DA DESAPARIÇÃO 

quinta-feira, 2 de junho de 2016

PEDRO MASTROBUONO

Foto: Denise Andrade



26/11/2015

terça-feira, 31 de maio de 2016

JORGE DE LIMA (1895-1953)



.....
.....

Leva-me a ser insânia, insânia e pranto,
por largos pedregais e por paragens,
pois tantas foi a infância, tanta que
me está vendando os olhos entre as viagens. 

....
....

Jorge de Lima 
Invenção de Orfeu 
Canto V 
Poemas da Vicissitude 
Estrofe da parte 3
pág 230

sexta-feira, 20 de maio de 2016

As queridas Frases De Caminhão !!!




Do nosso querido folclore Brasileiro !!!

São sempre Inesquecíveis !!!

Saudades de quando andava de carro pelas estradas e encontrava essas pérolas !!! 



Imbecil não tem tédio.
Lenha verde e mulher véia chora, mas pega fogo.
Língua afiada separa bons amigos.
Macho que é macho não chupa mel, masca abelha.
Mais virgindades já se perderam pela curiosidade do que pelo amor.
Malandro é o sapo que casa e leva a mulher pra morar no brejo.
Mamãe precisa de uma nora.
Marido de mulher feia sempre acorda assustado.
Marido de mulher feia tem raiva de feriado.
Meu Computador não fala COM PUTA.
Meu pensamento continua onde a minissaia termina.
Motorista é igual bezerro: só dorme apertado
Mulher bonita e dinheiro só vejo na mão dos outros
Mulher bonita e parafuso, comigo é no arrocho.
Mulher de amigo meu é que nem cebola: Eu como chorando.
Mulher de amigo meu pra mim é ótimo.
Mulher de beira de estrada é como circo: só tem armação.
Mulher deixa o rico sem dinheiro e o pobre sem vergonha.
Mulher desquitada e cana de engenho só deixam bagaço.
Mulher e árvore só dão galho.
Mulher é como abelha: ou dá mel ou ferroada.
Mulher é como índio: pinta-se quando quer briga.
Mulher é como lata de sardinha: se abrir, leva
Mulher é como lona de freio: só é boa encostada.
Mulher é como música: só faz sucesso quando é nova.
Mulher é como pizza: só é boa fora de casa!
Mulher é como remédio: agita-se antes de usar.
Mulher é como toalha; quanto mais enxuta, melhor
Mulher e fotografia só se revelam no escuro.
Mulher é igual a um circo, debaixo do pano é que está o espetáculo.
Mulher é igual alça de caixão: quando um larga vem outro e põe a mão
Mulher é igual pipoca, quando dá uns pulinhos cai logo na boca do povo.
Mulher é igual relógio: depois do primeiro defeito, nunca mais anda direito.
Mulher e laranja a gente descasca e chupa.
Mulher feia e cheque sem fundo eu protesto.
Mulher feia é igual a ventania, só quebra galho.
Mulher feia é igual jiló. Pouca gente come.
Mulher feia e morcego só saem à noite.
Mulher feia vale por duas porque o marido sempre tem outra.
Na cabina cabem muitas; no coração só uma.
Na calada da noite a população se multiplica.
Não discuta com sua esposa quando ela esta dobrando seu pára-quedas.
Na vida tudo é passageiro, menos o motorista e o cobrador
Não aponte as falhas alheias com o dedo sujo.
Não beba água, os peixes transam nela.
Não faça de seu namorado um tarado: a vítima pode ser você.
Não jogue espinhos na estrada…na volta você pode estar a pé
Não mando a minha sogra para o inferno porque tenho pena do diabo.
Não me venha com papo de mocinha oferecendo peitinho mole.
Não se pode fazer um omelete, sem quebrar os ovos!
Não sou batom, mas estou nessa boca.
Não sou detetive mas só ando na pista.
Não sou noticia ruim mas ando muito e depressa
Não sou o Dono do Mundo… sou o Filho do Dono
Não sou orquestra, mas vivo no conserto


Fonte : http://www.piadascurtas.com.br/frases-de-para-choque-de-caminhao/

quarta-feira, 27 de abril de 2016

AUGUSTO DOS ANJOS


Versos Íntimos
Augusto dos Anjos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!