Seguidores

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

LÚCIO CARDOSO (1912-1968)



ABERTURA Nº 1

As portas estão abertas, solenes,
para aqueles que não vieram.
Para os que se perderam nos sonhos
ou os que procuram no desespero.

As portas estão abertas silenciosas,
como as portas das grandes Catedrais.
Elas não esperam por aqueles
que as alcançaram facilmente,

pelos que encontraram numa floresta
o manso regato.
Esses jamais sentirão o valor
das imensas portas abertas.

Elas anseiam pelos que não 
encontraram a direção,
para os quais tudo era
um grande deserto sem veredas.

As portas abrem-se contentes
para os que procuraram
água na terra de pedras,
na terra de pedra e areia, puras.

Para os que procuraram
nas plagas do desespero
a sombra benevolente
da tranquilidade e do sono.

Esses, e somente esses,
os abandonados às margens do caminho,
os desgarrados do imenso rebanho,
os que não viram brilhar

a estrela na noite,
saberão porque estão abertas as portas.
E apenas esses se apegarão a elas
como um surdo a um murmúrio.





quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Frases ...



" Casamento também é uma Odisséia,
 além naturalmente de ser uma Ilíada. " 

Marco Coiatelli

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

MACHADO DE ASSIS






" .... e não basta ver uma mulher 
para a conhecer, 
é preciso ouvi-la também; 
ainda que muitas vezes 
basta ouvi-la 
para a não conhecer jamais. " 

Machado de Assis 


Pág 57,
Capitulo III, 
Ao Som da Valsa
do Romance
Ressureição (1872)

LEDO IVO !!!



La quemazón

Queme todo lo que pueda:
las cartas de amor
las cuentas del teléfono
la lista de ropa sucia
las escrituras y documentos
las deslealtades de los colegas resentidos
la confesión interrumpida
el poema erótico que ratifica la impotencia y anuncia la arterioesclerosis
los recortes antiguos y las fotografías amarillas.
No deje a los herederos famélicos
ninguna herencia de papel.

Sea como los lobos: more en un cubil
y sólo muestre a la canalla de las calles sus dientes afilados.
Viva y muera encerrado como un caracol.
Diga siempre no a la escoria electrónica.

Destruya los poemas inconclusos, los apuntes, las variantes y los fragmentos
que provocan el orgasmo tardío de filólogos y escoliastas.
No deje a los catadores de basura literaria ninguna migaja.
No confíe a nadie su secreto.
La verdad no puede ser dicha.


Traducción de Rodolfo Alonso.


http://www.cosmopoetica.es/invitados/222-ledo-ivo

terça-feira, 18 de novembro de 2014

ALBANO MARTINS



A vida
- essa invenção magnífica
da morte.


pág 44 do livro :
Assim são as Algas
Poesia 1950-2000
Campo das Letras Editora

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

ALBANO MARTINS



Conheci-te de noite: 
por isso te chamo estrela.

Conheci-te de dia: 
por isso te chamo claridade.

Conheci-te em todas as horas: 
por isso te chamo eternidade.



pág 31 do livro:
Assim são as Algas
Poesia 1950-2000
Campo das Letras Editora 

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

" JULIA AND THE BALLOONS"



Now available on the
iBookstore
in 4 languages
Portuguese
English
Chinese
Norwegian

If you want in a 
different idiom, 
please suggest us !!!



Charles Baudelaire (1821-1867)





SPLEEN (III)


Je suis comme le roi d'un pays pluvieux,
Riche, mais impuissant, jeune et pourtant très vieux,


SPLEEN (III)


Sou como o pobre rei de algum país chuvoso,
Rico, mas incapaz, moço, e no entanto idoso,


....
Traduzido por Guilherme de Almeida (1890-1969)

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Manoel de Barros em Francês !!!



Un jour j'ai croisé Felisdônio en train de manger du papier dans les rues de Corumbá .

Il m'a dit que les choses qui n'existent pas sont plus belles.



Um dia encontrei Felisdônio comendo papel nas ruas de Corumbá.

Me disse que as coisas que não existem são mais bonitas .

MANOEL DE BARROS



Minha mae me deu um rio.
Era dia de meu aniversa'rio e ela nao sabia o que me presentear.
Fazia tempo que os mascates nao passavam naquele lugar esquecido.
Se o mascate passasse a minha mae compraria rapadura
Ou bolachinhas para me dar.
Mas como nao passara o mascate, minha mae me deu um rio.
Era o mesmo rio que passava atras de casa.
Eu estimei o presente mais do que fosse uma rapadura do mascate.
Meu irmao ficou magoado porque ele gostava do rio igual os outros.
A mae prometeu que no aniversario do meu irmao
Ela iria dar uma arvore para ele.
Uma que fosse coberta de passaros.
...
...
...

Manoel de Barros



http://www.campograndenews.com.br/lado-b/artes-23-08-2011-08/o-coracao-de-manoel-de-barros-parou-depois-de-meses-sem-vontade-de-viver

13/11/2014 09:12

O coração de Manoel de Barros parou, depois de meses sem vontade de viver

Ângela Kempfer
Manoel em casa, ainda em tempos de vitalidade. (Foto de Marcelo Buainain)Manoel em casa, ainda em tempos de vitalidade. (Foto de Marcelo Buainain)
Não existe a morte para alguém como Manoel de Barros. Não cabe bem, até por sinal de respeito. O poeta nunca gostou que colocassem data na existência. Então, o dia é de mais uma daquelas inutilezas que a vida inventa e que ele por tantas vezes substantivou.
O coração parou por volta das 8h05 desta quinta-feira, no Proncor, depois de 6 meses em estado de ruína, como ele mesmo definia os efeitos dos 97 anos de idade, quase 98, que seriam comemorados no dia 19 de dezembro. O velório será no Parque das Primaveras, mas ainda não há horário definido.
"Nesses últimos dias não reconhecia mais ninguém", diz o irmão Abílio Leite de Barros, de 85 anos. Mas a debilidade veio de forma lenta, lembra ele. "Não foi doença, foi a velhice que se agravou nos últimos 6 meses. Acabou com a falência múltipla de órgãos", detalha.
No dia 3 de novembro, Manoel chegou a ser internado para cirurgia de desobstrução intestinal. Depois, permaneceu na UTI, já sem reconhecer os parentes.
Para a família, é uma despedida preparada desde que o próprio Manoel manifestou a vontade de morrer. "Ele já não era mais capaz de ler e escrever e me disse que depois disso não valia mais a pena viver", conta Abílio.
Os últimos meses foram em uma cama ou na cadeira de rodas, em casa, se alimentando por sonda, auxiliado por 4 enfermeiros, sem lápis ou leitura, sem falar ou andar. Ironicamente, por fim ficou como vegetal.
Manoel sofreu pelas doenças do corpo e da alma, desbotada pela perda dos dois filhos homens. Pedro se foi em em 2013. Antes, João Wenceslau de Barros partiu, em decorrência de um acidente aéreo em 2005. Nunca mais o poeta teve muitas vontades.
"Manoel não termina nunca. A sua vida tornou-se a Vida, transferiu-se para a palavra encantada que ele criou, para esse 'errar bonito' que os seus versos sugerem", resume de maneira simples o moçambicano Mia Couto, ao se despedir do poeta.
O escritor se dedica aos contos, é considerado um dos maiores da língua portuguesa e tem, dentre tantos reconhecimentos, o Prêmio Camões de Literatura. O que ele escreve, por muitas vezes é comparado à simplicidade de Manoel. A relação com os últimos dias do poeta aparece em frases curtas, impressas na literatura de Mia. "Dói-me a vida, doutor", diz trecho do livro "O menino que escrevia versos".
Foto de Marcelo Buainain, um vizinho que hoje fotografa o mundo.Foto de Marcelo Buainain, um vizinho que hoje fotografa o mundo.
Apesar de toda a tristeza diante da notícia (sem a graça das invencionices) é bom lembrar que Manoel sabia que o tempo só anda de ida e que, esperto, amarrou o dito cujo no poste para jamais ser esquecido.
A sorte, é que antes de partir, nos mostrou o que está sob a pedra. Despertou emoções sobre o bruto. Levantou o que todo mundo chuta para chamar atenção ao sentimento e sugerir paciência de lesma ao olhar apressado. Vegetalizou as pessoas, com simplicidade profunda, como os amigos costumam definir.
Nasceu em Cuiabá (MT), no Beco da Marinha, na beira do rio, mas veio criança para estas bandas e é nosso sul-mato-grossense de fato, morador ilustre da Rua Piratininga, no Jardim dos Estados.
Aqui, tirou o homem do centro das atenções para falar de sapos, formigas, cobras e gotas d'água. "Poderoso não é quem descobre ouro, mas quem descobre as insignificâncias". Falando assim seguiu uma vida toda, dando lições de humildade. Admirava Charlie Chaplin, por exemplo, por ele ter “monumentado" o vagabundo.
Conversava, pessoalmente ou por telefone, com quem o chamasse para uma prosa. Uma rotina que terminou há cerca de 2 anos, quando o contato ficou restrito à família e aos enfermeiros, por conta do estado de saúde de Manoel que o trancava em casa. Nem sequer um autógrafo mais conseguia desenhar.
A amiga Glorinha Sá Rosa há muito não via Manoel, mas a morte trouxe lembranças de um sujeito surpreendente. “Ele era muito tímido. Chegou a vomitar certa vez, antes de uma palestra em Cuiabá, e desistiu de falar naquele dia”.
Outra passagem é cheia de significados sobre o ser Manoel e envolve um ídolo do poeta. “Ele conseguiu marcar uma conversa com o Manuel Bandeira, poeta que ele amava. Na data combinada, foi até o endereço, apertou a campainha, mas diz que ouviu os passos do Manuel Bandeira rumo à porta, ficou com tanto medo que saiu correndo. Por isso, os dois nunca se encontraram”, conta Glorinha.
Arrumou vários empregos, inclusive, de corretor de imóveis, mas achava chato. Permaneceu por 10 anos no Pantanal à toa e ali começou a armazenar poesia na memória. Mas as obras que o levaram ao reconhecimento só vieram mesmo depois dos 60 anos, já com morada em Campo Grande.
Preferia ser poeta a ser jornalista ou advogado. Porque “quem descreve não é dono do assunto, quem inventa é”. E, afinal, “as invenções servem pra aumentar o mundo.”
Era vaidoso, adorava os elogios, principalmente, os das mulheres. Brincava, com bom-humor sincero, a desilusão de só ficar famoso depois de velho, quando Millôr Fernandes escreveu sobre um poeta “de verdade” que o Brasil desconhecia. Logo em seguida, a revista “El Paseante” publicou na Espanha a primeira matéria destacando a poesia dele.
No trajeto, Manoel teve como um dos maiores trunfos a esposa e conselheira Stella, 5 anos mais nova. Uma senhorinha que ainda anda de Fusca e chegou a brigar certa vez com o marido por conta de uma poesia que julgou desrespeitosa por falar do sexo de Nossa Senhora Aparecida.
Os dois se conheceram no Rio de Janeiro, quando o corretor Manoel de Barros tentava vender uma apartamento para Stella. "O casamento me salvou. Há muito não me interessava por nenhum homem", dizia a esposa.
Virou o autor que mais vendeu poesias no País. Ganhou fãs apaixonados, que ao publicar de uma reportagem sobre o velho Maneu respondiam à repórter com dezenas de comentários e pedidos para encontros e autógrafos do nosso mais querido personagem. "Isso satisfaz mais do que critico, mestrado ou doutorado", comemorava.
Quando ficou “famoso” passou a despertar na imprensa especializada o interesse por entrevistas e então criou, bem sem querer, a aversão à máquina, a tudo que não dialoga, como um gravador ou um microfone. Nunca trocou a máquina de escrever pelo computador e correspondência, na visão dele, só vingava como carta, entregue pelo carteiro.
O jornalista Bosco Martins há muito começou a se despedir do amigo. Era ele o responsável por alguns “boletins médicos” relativos ao poeta. Com o passar dos dias e a fragilidade cada vez mais evidente, passou a dar conselhos aos fãs: “devemos nos acostumar ao ser letral”.
E nesse aspecto, muito está por vir. Manoel não deixou ninguém órfão. A obra dele agora será editada pela Alfaguara, que planeja homenagens ao poeta em 2015 e, de tabela, dar um alento aos fãs.
Antes de partir, teve a oportunidade de deixar como despedida o orgulho de ser lido, amado e lembrado graças à poesia. "O ser biológico é sujeito à variação do tempo, o poeta não", ensinou Manoel.

"Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos..."


imagem transparente

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

If we wait ...

Carta para Alguém !!!



IL CORPO GRIDA... 

Quello Che La Bocca Tace... 

La malattia è un conflitto tra la personalità e l'anima
. 
Molte volte... Il raffreddore "cola" quando il corpo non piange... 


Il dolore di gola "tampona" quando non è possibile comunicare le afflizioni.

Lo stomaco "arde" quando le rabbie non riescono ad uscire. 


Il diabete "invade" quando la solitudine duole. 

Il corpo "ingrassa" quando l'insoddisfazione stringe. 

Il mal di testa "deprime" quando i dubbi aumentano. 

Il cuore "allenta" quando il senso della vita sembra finire. 

Il petto "stringe" quando l'orgoglio schiavizza. 

La pressione "sale" quando la paura imprigiona. 

Le nevrosi "paralizza" quando il bambino interno tiranneggia. 

La febbre "scalda" quando le difese sfruttano le frontiere dell'immunità. 

Le ginocchia "dolgono" quando il tuo orgoglio non si piega. 

Il cancro "ammazza" quando ti stanchi di vivere. 

Ed i tuoi dolori silenziosi? Come parlano nel tuo corpo? 

La malattia non è cattiva, ti avvisa che stai sbagliando cammino. 

Mi sembra bello condividere questo messaggio: 

LA STRADA PER LA FELICITÀ NON È DRITTA. 

Esistono curve chiamate Equivoci. 

Esistono semafori chiamati Amici. 

Luci di sicurezza chiamate Famiglia. 

E tutto si compie se hai: una ruota di scorta chiamato Decisione. 

Un potente motore chiamato Amore. 

Una buona assicurazione chiamata Fede. 

E abbondante carburante chiamato Pazienza...


GIOVANNI TANCREDI

http://it.wikipedia.org/wiki/Giovanni_Tancredi_(storico)

terça-feira, 11 de novembro de 2014

LIVROS 8/2014




89. A Gesta do Príncipe Igor
[ Slovo o Polku Igorevie ]
Época Medieval Russa
Edições Cotovia
Lisboa, 1992

90. Fiódor Dostoiévski
Noites Brancas
Clube do Autor

91. Miguel de Unamuno
Portugal, Povo de Suicidas
Letra Livre

92. Orfeu Canta 
Pequena Antologia de Poesia Portuguesa sobre música organizada por José da Cruz Santos 
Edição Modo de Ler 

93. Patricia Maria de Almeida 
Contos de 7 a 70
Chiado Editora 

94. João Castel-Branco Pereira 
As escolhas do Director
Museu Calouste Gulbenkian 

95.Mia Couto 
Estórias Abensonhadas
Editorial Caminho 

96. Lao Tse 
Tao Te King
Tradução e Comentários de 
António Miguel de Campos 
Editora Relógio D'Água 

97. Eugénio de Andrade
As Palavras Interditas
Até Amanhã 
Editora Assírio & Alvim

98. Eugénio de Andrade
Obscuro Domínio 
Editora Assírio & Alvim

99. Sófocles 
Filoctetes
Fundação Calouste Gulbenkian

100. Sófocles 
Ájax
Fundação Calouste Gulbenkian 

101. Cícero 
As Catilinárias 
Tradução Sebastião Tavares de Pinho
Edições 70

102. Emily Dickinson 
80 poemas
Tradução Jorge de Sena 
Guimarães Editores 

103. Emily Dickinson 
100 Poemas 
Tradução Ana Luísa Amaral
Relógio D'Água Editores

104. W.B.Yeats 
Os Pássaros Brancos e Outros Poemas
Tradução de Maria de Lourdes Guimarães e Laureano Silveira 
Relógio D'Água Editores 

105. Lêdo Ivo
Antologia Poética
Seleção de Albano Martins 
Edições Afrontamento 





segunda-feira, 10 de novembro de 2014

GERALDO MARIBONDO !!!



Dizem que família a gente não escolhe,
dizem que quem ama cuida; 
o que me assusta é pensar que só eu quem amou nas minhas relações. 
Dizem que o tempo sempre cura; 
chato é o tempo só ficar curando, 
nunca trazer algo que não machuque; 
Dizem que tudo que é verdadeiro volta; 
minha aflição é me conformar com essa ideia de partida, 
o verdadeiro ir embora me parece tão contraditório. 
Dizem que as pessoas gostam do que não tem certeza;
 cruel é não saber mascarar sentimentos. 
Dizem que liberdade é pouco; 
lamentável é essa supervalorização da liberdade e desvalorização do amor. 
Dizem que quem gosta corre atrás; 
o que me assusta é duvidar de sentimentos 
porque as atitudes não estão de acordo com os padrões.