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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Lêdo Ivo by Gonçalo Ivo !!!



Anotações sobre a poesia de Lêdo Ivo


I
Guadalquivir e o tempo

Lêdo Ivo morreu muito jovem. Iria completar 89 anos. Das muitas vidas que viveu, esta, que ficou para trás, foi mais uma passagem na nebulosa floresta do tempo. Poetas não têm idade ou sequer morrem. São como bichos incômodos, insetos, conchas do mar a abrigar viscosos moluscos ou mesmo víboras, sempre a nos perturbar com sua morfologia misteriosa, ruídos e zumbidos indecifráveis. Herdarão a terra após o fim dos tempos.
Um fato ocorrido no cemitério de San Fernando em Sevilha, no dia 25 de dezembro de 2012, quando cremei o corpo de meu pai, confirmará o que digo. Enquanto transcorria a cerimônia da transformação de seu corpo em cinzas, convidei Leonardo, meu filho, a uma caminhada entre as frias aleias no início de mais uma manhã de inverno. Esta necrópole não está longe de um dos braços do rio Guadalquivir. Cemitérios são projetados e construídos como se fossem cidades. E os muros de San Fernando guardavam naquela manhã, antes do acontecimento da aurora, a silhueta de esguios toureiros contra um céu cada vez mais violáceo, fantasmas de cantantes de flamenco, divas, inúmeros e ilustres personagens locais. Entre as lápides negras adornadas por ferros e volutas retorcidas, esculturas invulgares, flores de plástico e fotografias esmaltadas a estampar faces esmaecidas, se esgueirou um pequeno gato. Vinha de outro reino. Mirava a tudo de forma traiçoeira, como se estivesse a hipnotizar os pequenos pássaros que desavisadamente pousavam na terra à procura de alguns grãos. Disse a Leonardo: “Seu avô reencarnou”. Pois os poetas são o instrumento insubstituível entre este e o outro mundo, aquele em que sonhamos com os olhos bem abertos. O felino, que pouco tempo depois se fartou de nossa companhia, saltou a outros sítios e vidas, desapareceu na manhã solitária rasgada pela imprecação dos primeiros raios de luz. E em mim deixou a dúvida de toda uma existência.
Lembrei-me então dos versos de Matsuo Basho em Sendas de Oku , traduzido por Octavio Paz e a mim por ele ofertado quando estive no México com Lêdo e Leda em 1982:  

Los meses y los días son viajeros de la eternidad. El año que se va y el que viene también son viajeros. Para aquellos que dejan flotar sus vidas a bordo de los barcos o envejecen conduciendo caballos, todos los días son viaje y su casa misma es viaje. Entre los antiguos, muchos murieron en plena ruta. A mí mismo, desde hace mucho, como girón de nube arrastrado por el viento, me turbaban pensamientos de vagabundeo.


Logo se fez dia! Sevilha foi ficando cada vez mais distante e se tornando lembrança, enquanto o trem avançava e me levava de volta a Madri. Passei por túneis escuros e brumas entre montanhas recém-tocadas pela tempestade. Deixei também para trás o rio Guadalquivir, tão distinto de quando visto do céu, irregular como uma serpente. Sobre este rio, Lêdo Ivo escreveu em Um Brasileiro em Paris, de1953:

Guadalquivir

[...]

À água digo: o tempo não tem futuro,
presente ou passado. Coisa em si mesma
perpétua, é tábua infinita do mundo.
Guadalquivir sente isso: canta em pedra

Entre árvores o dia faz-se tempo,
cal íntegra que as pátinas não mancham,
lavada pela água suja do rio.

Dize-me, Guadalquivir, como pode
alguém viver sem tua companhia?
Passas cantando em mim e é belo o dia. 


Lêdo Ivo não se contentou em atravessar comigo neste derradeiro inverno mais uma ponte sobre esse rio. Queria a eternidade de viver, morrer e renascer em sua companhia. É a eterna premonição dos poetas. Saber cantar o que será o novo dia. Transmutar no futuro as lembranças em tinta negra sobre a folha de papel amarelada pelo tempo.

Maré

Na praia de papel
respiro o ar do mundo.
Letras.  

Na ortografia vive
todo o meu mistério.
Tinta.

O mar azul vomita
algas e medusas.
Signos.

 A sujeira do mar
 é meu patrimônio.
 Canto.

 Um brasileiro em Paris, 1953. 



II
O Vento de Maceió

Há algo no ar, o cheiro do peixe, do sal, do sargaço, trazidos a terra pelo vento do mar, emblema natal e marca indelével nos recortes suavemente arredondados da costa verdejante, espécie de geometria, arquitetura de contenção a proteger coqueirais, mangues, lagoas, canaviais, memórias... 
Neste horizonte, o poeta regressa todos os dias em navios, cargueiros avariados, carcomidos pela ferrugem que procuram o lugar certo para morrer. 
Ainda em minha juventude, instado por meu pai, resolvi passar as férias de verão em Maceió, sua cidade natal. Havia sempre a carinhosa acolhida de tios e primos que até então desconhecia, e mesmo de "parentes" que ostentavam uma consanguinidade difusa, coisa comum neste canto do Brasil. Estas foram as minhas temporadas nordestinas, inesquecíveis, entre Maceió, Recife, João Pessoa, Caruaru, Areias, Deodoro, Penedo, Neópolis... Na minha primeira e verdadeira travessia do Rio São Francisco, a bordo de uma pequena piroga, me dei conta da imensidão de suas águas, que de tão excessivas guardavam em seu estuário as sombras terrosas de infinitas nuvens brancas, como se fossem borrões sendo levados para o mar, e em suas profundezas lodosas e traiçoeiras ocultavam jacarés, tartarugas, carapebas e piranhas. Nas margens desse rio/mar, em Neópolis, lavadeiras entoavam cantos, enquanto quaravam e secavam seus tecidos coloridos sob o sol. 


III
A Cidade e os Dias

A paisagem urbana encarnará eternamente na poesia de Lêdo Ivo. E não só a bucólica, violenta e atemporal Maceió, deitada na lembrança do afeto, mas também a metrópole contemporânea em qualquer dos quatro cantos do mundo, a ostentar suas contradições, casa dos homens sem pátria ou sem brasão natal, onde a matéria da poesia pode vir do som da turbina do jato, dos gemidos dos amantes ou do ruído de um liquidificador – o humano, banal e comum...
Verifico que, após o autoexílio europeu – com base em Paris entre os anos de 1952 a 1954 – e posteriormente na temporada de inverno na América do Norte em 1963, a poesia de Lêdo Ivo sofre mutações.
Em 23 de novembro de 1963, John Fitzgerald Kennedy foi assassinado em Dallas, Texas. Lêdo Ivo, que na mesma época a convite deste governo visitava a América conhecendo universidades, escritores, pintores, cientistas, absorvendo o que então esta nação hegemônica tinha de melhor a oferecer do ponto de vista da cultura, assimilou, como poucos, o que seus sentidos alcançavam. De forma diferente do que fizeram os modernistas paulistas dos anos 1920, esse banquete que lhe é oferecido acrescenta mais do que empobrece ou torna caricatura. Sua escrita fica mais coloquial e terrena. Antes mesmo do golpe militar no Brasil, em 1° de abril de 1964, no seu livro Estação Central, com capa do jovem artista Rubens Gerchman, entoa em A Cartilha, no poema de abertura do livro:

Primeira Lição

Na escola primária 
Ivo viu a uva
e aprendeu a ler.

Ao ficar rapaz
Ivo viu Eva
E aprendeu a amar.

E sendo homem feito
Ivo viu o mundo
Seus comes e bebes.

Um dia num muro
Ivo soletrou
a lição da plebe.

E aprendeu a ver.
Ivo viu a ave?
Ivo viu o ovo?

Na nova cartilha
Ivo viu a greve
Ivo viu o povo.

Em 28 de agosto de 1963, somente alguns meses antes da chegada de meu pai aos Estados Unidos, houve a famosa caminhada sobre Washington, em que aproximadamente 250 mil pessoas ouviram o pastor negro Martin Luther King dizer em voz firme "I have a dream". Um ano antes, Bob Dylan, um dos melhores poetas e músicos de sua geração, entoaria o canto Blowing in the wind. Poemas de cunho social que fazem parte de Estação Central são para mim uma redescoberta. O livro é uma espécie de divisor de águas na produção literária de Lêdo Ivo. Não há mudanças estruturais na essência da escritura. É e sempre será a “mesma língua”, imagética, rica em significados e ambiguidades, oriunda do surrealismo descoberto na juventude, quando ainda menino folheava as páginas de um pequeno livro de cor amarela, adquirido no Recife com poemas de Rimbaud. O que muda e mudará a partir desse encontro com a América é o mundo, seu tamanho, e a parte habitada pelo poeta.
  

IV
Vargem Grande


E de súbito, em 1973, Maceió migra para outra geografia. No novo campo de cultivo e experimento poético, estrelas-do-mar, luzes e reflexos de navios ascendem e incrustam-se no negror do firmamento, desabando em seguida como tempestade sobre horizontes, vales, florestas e rios. É Vargem Grande, a parcela de terra escolhida para professar a nova cartilha. Canta o poeta no livro A Noite Misteriosa, Poesia, 1973 a 1982:   
Vargem Grande

 Afinal aprendi a ler a terra.
Este chão completa o céu: brancor de nuvens e constelações
onde pássaros pousam, banhados de sol....


Há um ar bucólico nos poemas de A Noite Misteriosa. Este mundo rural, incomum, nunca experimentado pelo poeta, agora com quase 50 anos de idade, é sentido como nova descoberta, possibilitando práxis inéditas.
Sucedem-se nesses poemas a referência a essa fração de paisagem agrária, metáfora do mundo e sua cosmogonia. Lenhadores, ferradores de cavalo, galpões abandonados, jumentos, ratos do mato, predadores, tempestades, florestas e astros em plena atividade são a seiva dessa sinfonia pastoral.

Advertência a um gavião

O gavião sobrevoa
a plantação de tomate.
Meu irmão gavião,
eu não aceito a morte.
Na partilha do mundo
não estarei ao teu lado.
Jamais admitirei
a usurpação do dia.
Só sei enfileirar-me
No cortejo da vida.
Meu caminho me leva
à floresta onde fluem
as fontes escondidas.
Mesmo longe adivinho
uma árvore que tenha
frescor de fruto ou ninho.
Gavião! Gavião!
embaixador do não,
o céu não pode ser
sepultura de pássaros.
A Noite Misteriosa, 1973/1982.

      

V
Lêdo Ivo o rei da Europa


O lugar sem chave

Quem guarda durante a noite
a chave do necrotério?
Necrotério não tem chave.
Ele sempre fica aberto
seja de noite ou de dia
numa incessante porfia
no vai e vem interminável
do entra e sai dos cadáveres.
Na fetidez do serão
há sempre alguém de plantão
a mão cansada de abrir
o gelado gavetão.
E cesse toda esperança:
a mortalha não tem bolso
para guardar a poupança.
Saibam todos os viventes:
semente do inexistente,
a vida sempre é de morte.
O derradeiro mistério
acaba no cemitério.
Para o defunto ilusório
que estima o logro do fogo
termina no crematório
na trituração dos ossos
na fumaça que se esgarça
e como um vômito alcança
o céu da desesperança
no céu sem céu e sem pássaros.

Relâmpago, livro inédito com 13 poemas a ser publicado em dezembro 2014, edições Valparaíso, Espanha.
   

Numa visita ao Museo del Prado, Lêdo puxa meu braço ao nos depararmos com Dos viejos comiendo, de Francisco de Goya. E, como quem se prepara para contar um segredo, sussurra: “Esta pequena pintura guarda toda poesia, miséria e mistério da vida e do mundo”. Não é só a identificação alinhada à estética do pintor aragonês. Próximo ao final de sua vida, em suas inumeráveis viagens, o poeta parecia caçar pelo mundo a razão ou função de existirmos. Queria tudo entender e tudo a que tivesse direito. Do transitório ao perene. Se seu mundo físico e fronteiras dilatavam-se, sua preocupação como artista fazia o caminho inverso. Seus últimos poemas estão imprecados de indagações existenciais, pensamentos filosóficos, tempos metafísicos e humanidade. Sua poesia alcança o derradeiro clarão do relâmpago. Como Goya e seu intangível Perro semihundido a mirar o nada.

Gonçalo Ivo, Paris, 2 de outubro de 2014.






sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Carta para Alguém !!!!





Em Criança brincavamos de animar os seres inanimados ...


E assim em um instante a caneta se transformava em um infante a descobrir coisas extraordinárias do mundo em um papel ordinário.

Assim também  acontecia com aquele nosso pequeno carro matchbox que se transformava no mais potente carro, concorrendo com Ferraris e Lamborguinis, e ganhando sempre qualquer corrida. 
As primeiras com apenas algumas horas a frente, as ultimas chegando dias a frente, e se fossemos razoáveis (nunca o éramos ) perdendo uma vez a cada cem ou mil .

Assim a imaginação particular se sobrepunha a imaginação coletiva (nem sequer sabíamos que existia uma imaginação colegiada, ainda acho que nos enganaram em relação a isso).

O tempo passa e começamos a provável socialização ..

Nossos carros não são mais os melhores, nossas canetas, 
de infantes transformam- se em cavaleiros infames que não vão a lugar nenhum, ( geralmente acabam se perdendo em nosso imaginário ), 
ainda ajudados por algum "adulto" que nos diz :
" Isso tudo é besteira, você precisa estudar, pensar em ser alguém . "

E convencidos de sermos um Zé ninguém, começamos a não refletir,

e sem chegar a nenhuma conclusão, decidimos: 

" Vou ser Rico . "

Como se riqueza fosse profissão, e vamos  tateando e tentando esse caminho reto que na verdade é bem Oblíquo e bem Labiríntico.

Oblíquo pois sempre estaremos a subir ou a descer, raramente parados 
(talvez somente quando partirmos, e que segundo alguns iniciaremos uma nova caminhada, ou seja, sempre em movimento).

A cobrança nos impedirá de parar.
Paramos, as vezes, só se for para dormir, comer ou ir ao banheiro, e olhe lá, temos que ser rapidíssimos, ou pelo menos dentro dos chamados tempos padrões (ai meu Deus !!! ).

Se não, estamos fadados a receber algum apelido nem sempre carinhoso tais como:  dorminhoco, comilão, cágado ou algo parecido e pior ...

E para sermos poupados do moderníssimo bulling, vamos nos adaptando a nos tornarmos ovelhas a caminho da normalidade ou da idiotia, como preferirmos (uma espécie de Livre-Arbítrio, sem ser !).

Labiríntico, pois certamente nos perderemos e pouquíssimos conseguirão sair.
Alguns saem somente depois de vários anos, 
tendo inclusive se perdido dentro e continuando a se perder fora,
outros nunca se achando !

A esperança de uma possível mensagem a nos acompanhar poderá ser :

" Apesar de tudo e de todos, 
não devemos desistirmos jamais,
de sermos o que tivermos que ser !!! "




quarta-feira, 8 de outubro de 2014

MAYBE ...


48 PAÍSES E MAIS DE 201 MIL VISITANTES !!!


PODER SER LEMBRADO
EM 47 PAÍSES ....
AUMENTA A FELICIDADE 
E A RESPONSABILIDADE !!!


 1.  ALEMANHA
 2.  ANGOLA
 3.  AUSTRALIA
 4.  AUSTRIA
 5.  ARÁBIA SAUDITA
 6.  ARGENTINA
 7.  BIELORÚSSIA
 8.  BRASIL
 9.  CANADA
10. CHILE
11. CHINA
12. COLÔMBIA
13  CORÉIA DO SUL
14.  DINAMARCA 
15. ESPANHA
16. EMIRADOS ARÁBES
17. EGITO
18. EQUADOR
19. EUA
20. ITALIA
21. ÍNDIA
22. INDONÉSIA
23. ISRAEL
24. FINLÂNDIA
25. FRANÇA
26. GRÉCIA
27. HOLANDA
28. JAPÃO
29. LÍBIA
30. LITUÂNIA
31. LUXEMBURGO
32. MACEDÔNIA
33. MALÁSIA
34. MÉXICO
35. RÚSSIA
36. PERU
37. PORTUGAL
38. POLÔNIA 
39. QUÊNIA
40. REINO UNIDO
41. RÚSSIA 
42. SÉRVIA
43. SUÉCIA
44. SUIÇA
45. TAIWAN 
46. UCRÂNIA
47. URUGUAI 
48. ZIMBÁBUE

terça-feira, 7 de outubro de 2014

W. B. YEATS



" I sing what was lost 
and dread what was won ... "

" Eu canto o que se perdeu 
e temo o que se ganhou ... "



W. B. Yeats 
Os Pássaros Brancos e outros Poemas
Pág 140,141
Tradução: Maria de Lourdes Guimarães e Laureano Silveira 
Relógio D'Água Editores 

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

DESPERTAR - EUGÉNIO DE ANDRADE

PAUL KLEE, 1923

DESPERTAR 

É um pássaro, é uma rosa,
é o mar que me acorda ?
Pássaro ou rosa ou mar,
tudo é ardor, tudo é amor.
Acordar é ser rosa na rosa,
canto na ave, água no mar.





Eugénio de Andrade
Coração do Dia 
Pág 39
Assírio & Alvim

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

SESIMBRA




SESIMBRA 

Primeiro a mão, ou antes, o mar,
Só depois a rosa, a dança do ar.




Eugénio de Andrade
Escrita da Terra 
Pág 51
Assírio & Alvim 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Ali ...


Ali ...
Se encontravam ...
e se perdiam ...

Uma escadaria ...
pode sempre permitir ..
Infinitas possibilidades !!! 


terça-feira, 30 de setembro de 2014

Venezia



VENEZA

Que música serias 
se não fosses água ?


Eugénio de Andrade 
Escrita da Terra
Pág 39
Assírio & Alvim 

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

EUGÉNIO DE ANDRADE



3. " O Silêncio é de todos os rumores 
o mais próximo da nascente. "

4. " Só água era, e sem memória. "


Eugénio de Andrade
Ostinato Rigore
Trechos da Poesia :
As Nascentes da Ternura 
Pág 39 
Assírio & Alvim

domingo, 28 de setembro de 2014

WILSON PEREIRA 2



O SINO



O som sim
sim o som
do sino

fino bom
um hino
o som
do sino

ao me acordar
menino.




Quando anunciou
o longo sono
dos meus

mudou-se
o som do sino:

tão sem tom

tão... tão... tão...


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Hiroshi Matsumoto


Maravilha !!!

Parabéns Hiroshi Matsumoto !!!

http://www.hiroshimatsumoto.com 

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

IL BANTAM ITALIANO

MILTON TORTELLA


Il Bantam

Questa storia viene raccontata da Virgilio nel suo diario, da pagina 49 a pagina 52. " Nei lontani anni '60 durante un viaggio passando per Cremona, mi fermai a trovare un amico che teneva in casa un Galletto che considerava a tutti gli effetti un membro della sua famiglia. Forse il mio amico avrebbe voluto appartenere a una famiglia reale e, non potendo esaudire il suo sogno, decise di incoronare Re il Galletto.
I suoi ospiti, però, non erano mai d'accordo, perché pensavano che, come ci hanno insegnato Fedro, Esopo e La Fontaine, il vero e unico Re degli animali fosse il leone; per questo li considerava ingrati e li invitava a lasciare la sua casa.
Di visita in visita, per burla o per atto di riverenza, l'abitazione del mio amico diventò famosa come il "Palazzo Reale del Bantam ".
Nel palazzo, una volta poco più di una capanna, si sapeva quasi tutto sui galli: dalle creste, ai canti, ai combattimenti e alle malattie, nessuno aveva peli sulla lingua. Gli abitanti del Palazzo vivevano felicemente e con orgoglio, tutti tranne Sua Maestà. Secondo le vecchie correnti filosofiche l'infelicità del gallo era causata dalla mancanza di un pollaio pieno di galline.
E, poiché c'è sempre qualcuno che vuole cambiare la vita degli altri, un giorno comparve Omero, che, in un attimo, iniziò una campagna per rubare la corona al Galletto. Faceva domande senza senso e cambiava discorso in un baleno. A poco a poco, Omero insinuò dubbi dove c'erano state solo certezze. Il Galletto, tuttavia, rimaneva saldo sul trono, spingendo così Omero a cercare altri mezzi per raggiungere il suo scopo.
Due mesi e mezzo più tardi, Omero annunciò di dover partire per un viaggio d'emergenza. Ritornò portando con sé una Gatta Attaccabrighe. Omero era tutto eccitato e rigirandosi pensava:
" Ora vedrò se il Gallo sarà capace di prevalere ! "
Quando i membri del Regno de Gallo realizzarono quali potessero essere le conseguenze dei miagolii della Gatta, iniziarono a litigare. Metà pensava che ci sarebbe stata una rivoluzione e che non avrebbero potuto fare nulla per evitarlo, mentre l'altra metà cercava di proteggere il Gallo.
Omero stava ridacchiando quando, senza che nessuno se ne accorgesse, Bantam e Gatta iniziarono ad avvicinarsi l'uno all'altro, a toccarsi e abbracciarsi fin che si ebbe una conclusione ben diversa da quella prevista. Il Gallo non cantò e la Gatta non miagolò. Sembravano essere nati l'uno per l'altra, quindi, dal Regno in cui governava un eroico Gallo, nacque il Regno Unito del Gallo Bantam e della Gatta Attaccabrighe.
Tutti erano molto felici, tranne, naturalmente Omero, che ancora una volta iniziò a tramare per cacciare il Gallo.
Alcune settimane più tardi, si presentò con un impavida Gallina pronta a beccare da tutte le parti, che in breve tempo iniziò a essere chiamata la Gallina Sciantosa, anche se nessuno sapeva il perché.
La nuova abitante sentì subito odor di guai ma, furba com'era, mascherò la sua preoccupazione e astuta, iniziò a sorridere.
Il Re, attento e sicuro di sé, vide l'opportunità di ingrandire il suo regno e non prese nemmeno in considerazione il rischio di diventare Vicerè. La Regina Gallina, come lei stessa iniziò a chiamarsi, impose nuove regole.
Prima di tutto, urlò in un orecchio del Gallo.
" Che tipo di regno è questo ?
Un regno in cui non si lavora ?
Inaccettabile ! Vergognoso ! È ora di mettere ordine in questo caos.
Immediatamente approvò la Prima Legge del " Regno del Bantam ", che stabiliva le seguenti regole:
Art. 1: Tutti i Gatti devono lavorare 137 ore alla settimana.
Art. 2: I Gatti disubbidiente verrà espulso dal Regno.
Art. 3: Qualsiasi genere di appello è vietato.
Art. 4: Questa Prima Legge entra in vigore seduta stante.
La Gatta Attaccabrighe non batté ciglio, né smise di stiracchiarsi facendo che Bantam diventasse più affezionato. La Gallina Sciatosa sentendosi offesa, fu costretta a ricorrere ad altri metodi.
Una mattina, all'alba, mentre si cullava tra dolci sogni, Atttaccabrighe fu brutalmente svegliata dalla Regina con forti beccate.
" Come osa un membro del " Regno del Bantam " rifiutarsi deliberatamente di fare le uova, anche un unico uovo ? È un oltraggio, un insulto all'autorità del Re ! É necessario che sia punito in modo esemplare !
La Gallina Sciantosa turbò a tal punto il Gallo da lasciarlo disorientato, poi continuò a tormentare la Gatta dicendogli :
" Se non sai fare un uovo, impara ! Ora ! Subito ! "
Ne seguì una gran confusione, un sacco di chiacchiere e opposizioni e tutti quanti si sentivano persi tra tutte quelle voci e grida. Omero, da lontano, guardava tutto, sicuro che alla fine sarebbe riuscito a strappare la Corona dal Re .
Avenendo una grande sorpresa, però , la Gallina Sciantosa si rese conto che Attaccabrighe non avrebbe recato alcun disturbo alla sua vita da Regina. Abrogò la Prima Legge e, cambiando completamente atteggiamento, invitò la Gatta a una grande festa per celebrare la sua ammissione al Regno del Bantam.
Si sa però che nella vita reale le sorprese non finiscono mai e quindi Omero che era già pronto ad andarsene, fu invece invitato a diventare anche lui un membri della famiglia Reale. Non ci pensò due volte ! Capi che sebbene non avesse contribuito alla gioa del Regno, la cosa migliore da fare era mettere da parte la sua invidia.
Oggi chiunque vada a Cremona viene informato dalle Autorità dei Galli che nel Regno del Bantam chi è cattivo diventa buono e chi è buono diventa buonissimo. Tutto questo grazzie alla risoluta e irriducibile nobiltà d'animo del Bantam .


Traduzione Patrizia Graziella 

terça-feira, 23 de setembro de 2014

FOLHA DE OUTONO - PARTE 1 - HOMENAGEM A SCINTILLA




Era uma vez uma folha de outono que flutuava pelo parque de Brasília.
As vezes parava em cima de de uma árvore, e ficava bem tranquila observando
os pedestres, mas quando parava no chão tinha que ficar atenta aos varredores.
Tinha um desejo:  Parar em qualquer lugar e não ser incomodada. 
Para se mover  tinha sempre que pedir ajuda ao Vento, e as vezes 
ele estava almoçando ou escovando os dentes. 
Tinha que esperar o Vento acabar o que estava fazendo e torcer para 
não terem passado por cima dela. 
Vida difícil essa !
Assim ela sobrevivia, ao sabor do vento !