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domingo, 28 de junho de 2020

Books 4/2020

BOOKS 4/2020





34.

Alexander Liberman

Campidoglio

Essay by Joseph Brodsky

Random House



35.

Pier Paolo Pasolini

Sonnets

Traduction de René de Ceccatty

Édition Gallimard 



36.

Stéphane Mallarmé

Tutte le Poesie 

E Prose Scelte

Traduzione Luigi de Nardis

  • Poésies
  • Du Parnasse Satyrique
  • Du Parnasse Contrmporain
  • Feuillets D’Album
  • Chanson Bas
  • Plusieurs Sonnets
  • Hommage et Tombeaux
  • Prose 

Collana Fenice 11

Ugo Guanda Editore 



37.

Alexandre Pushkin

A Dama de Espadas

( Пиковая Дама )

Tradução Irineu Perpetuo

Ciranda Cultural Editora



38.

Salvatore Quasimodo 

Nobel 1959

Giorno dopo Giorno (1947)

Mondadori 



39.

Ziraldo 

A leste do E

Editora Melhoramentos 



40.

Thais Laham Morello

O Búfalo que só queria ficar abraçado

Ilustrações Juliana Basile

Editora Carochinha



41.

Blandina Franco

A Raiva 

Ilustrações de José Carlos Lollo

Zahar Editora



42.

Emicida

Amoras 

Ilustrações de 

Aldo Fabrini 

Companhia das Letras 



43.

Lulu Lima

A Flor que usava Lenço 

Ilustrações de 

Elder Galvão 

Editora Mil Caramiolas



44.

Silvia Borando

Gato preto, Gata branca

Tradução Fernando Nuno ilustrações de Silvia Borando

Editora Carochinha 














quinta-feira, 25 de junho de 2020

Profeta Isaías



IsaíasEditar

Um profeta do Antigo TestamentoIsaías abre a série de honra na entrada da escadaria do lado esquerdo do santuário.

A estátua esculpida por Aleijadinho tem o tipo físico de um personagem de idade avançada, barbas e cabelos abundantes. Veste uma túnica curta, que deixa descoberta a parte inferior das pernas calçadas de botas, sobre a qual se acha jogado um amplo manto. Segura um pergaminho com a mão esquerda, enquanto a direita aponta para o texto nele inscrito. Apresenta erros anatômicos de grande evidência, como a desproporção entre as partes superior e inferior do corpo, a estreiteza dos ombros, braços rígidos e curtos. Apesar de trazer a marca da interferência do "atelier", a expressão da cabeça de Isaías não é outra senão aquela criada pelo gênio de Aleijadinho. A verdadeira expressão de um iluminado diante de uma visão, constituindo-se em uma das mais importantes peças de todo o conjunto arquitetônico.

sexta-feira, 19 de junho de 2020

A Arte pode nos Salvar



Escrevo pode salvar ...

Pois refiro ao que cada um pode fazer  em relação as Artes .

Uma postura muito ativa; faço Arte ...
ou menos ativa; apenas aprecio ...

Uma postura muito passiva; não serve para nada... 
ou menos passiva; pode servir para algo em algum dia... 

A Arte Salva !!!

E não tenho nenhuma dúvida, se soubermos como caminhar ...

Longo aprendizado que jamais termina ...

Que tal darmos ...
Um primeiro passo ...
Um segundo passo ...

Sem pressa ....
Sem pressão ...

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Dante - Paradiso



“ L’amor che move il sole e l’altre stelle. “ 

Dante
Paradiso 
Canto XXXIII 
verso 145

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Cantico delle Creature




«Altissimo, Onnipotente Buon Signore, tue sono le lodi, la gloria, l'onore e ogni benedizione.

A te solo, o Altissimo, si addicono e nessun uomo è degno di menzionarti.

Lodato sii, mio Signore, insieme a tutte le creature, specialmente per il signor fratello sole, il quale è la luce del giorno, e tu tramite lui ci dai la luce. E lui è bello e raggiante con grande splendore: te, o Altissimo, simboleggia.

Lodato sii o mio Signore, per sorella luna e le stelle: in cielo le hai create, chiare preziose e belle.

Lodato sii, mio Signore, per fratello vento, e per l'aria e per il cielo; per quello nuvoloso e per quello sereno, per ogni stagione tramite la quale alle creature dai vita.

Lodato sii mio Signore, per sorella acqua, la quale è molto utile e umile, preziosa e pura.

Lodato sii mio Signore, per fratello fuoco, attraverso il quale illumini la notte. Egli è bello, giocondo, robusto e forte.

Lodato sii mio Signore, per nostra sorella madre terra, la quale ci dà nutrimento e ci mantiene: produce diversi frutti, con fiori variopinti ed erba.

Lodato sii mio Signore, per quelli che perdonano in nome del tuo amore, e sopportano malattie e sofferenze.

Beati quelli che le sopporteranno serenamente, perché dall'Altissimo saranno premiati.

Lodato sii mio Signore per la nostra sorella morte corporale, dalla quale nessun essere umano può scappare, guai a quelli che moriranno mentre sono in peccato mortale.

Beati quelli che troveranno la morte mentre stanno rispettando le tue volontà. In questo caso la morte spirituale non procurerà loro alcun male.

Lodate e benedite il mio Signore, ringraziatelo e servitelo con grande umiltà.»


domingo, 7 de junho de 2020

Cantico das Criaturas - San Francesco de Assis




Altíssimo, omnipotente, bom Senhor,

a ti o louvor, a glória, a honra e toda a bênção.

A ti só, Altíssimo, se hão-de prestar

e nenhum homem é digno de te nomear.

Louvado sejas, ó meu Senhor, com todas as tuas criaturas,

especialmente o meu senhor irmão Sol,

o qual faz o dia e por ele nos alumias.

E ele é belo e radiante, com grande esplendor:

de ti, Altíssimo, nos dá ele a imagem.

Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Lua e as Estrelas:

no céu as acendeste, claras, e preciosas e belas.

Louvado sejas, ó meu Senhor, pelo irmão Vento

e pelo Ar, e Nuvens, e Sereno, e todo o tempo,

por quem dás às tuas criaturas o sustento.

Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Água,

que é tão útil e humilde, e preciosa e casta.

Louvado sejas, ó meu Senhor, pelo irmão Fogo,

pelo qual alumias a noite:

e ele é belo, e jucundo, e robusto e forte.

Louvado sejas, ó meu Senhor, pela nossa irmã a mãe Terra,

que nos sustenta e governa, e produz variados frutos,

com flores coloridas, e verduras.

Louvado sejas, ó meu Senhor, por aqueles que perdoam por teu amor

e suportam enfermidades e tribulações.

Bem-aventurados aqueles que as suportam em paz,

pois por ti, Altíssimo, serão coroados.

Louvado sejas, ó meu Senhor, por nossa irmã a Morte corporal,

à qual nenhum homem vivente pode escapar:

Ai daqueles que morrem em pecado mortal!

Bem-aventurados aqueles que cumpriram a tua santíssima vontade,

porque a segunda morte não lhes fará mal.

Louvai e bendizei a meu Senhor, e dai-lhe graças

e servi-o com grande humildade

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Marco 4; 1-9




Marco 4

1 Novamente Jesus começou a ensinar à beira-mar. Reuniu-se ao seu redor uma multidão tão grande que ele teve que entrar num barco e assentar-se nele. O barco estava no mar, enquanto todo o povo ficava na beira da praia.

2 Ele lhes ensinava muitas coisas por parábolas, dizendo em seu ensino:

3 "Ouçam! O semeador saiu a semear.

4 Enquanto lançava a semente, parte dela caiu à beira do caminho, e as aves vieram e a comeram.

5 Parte dela caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; e logo brotou, porque a terra não era profunda.

6 Mas quando saiu o sol, as plantas se queimaram e secaram, porque não tinham raiz.

7 Outra parte caiu entre espinhos, que cresceram e sufocaram as plantas, de forma que ela não deu fruto.

8 Outra ainda caiu em boa terra, germinou, cresceu e deu boa colheita, a trinta, sessenta e até cem por um".

9 A seguir Jesus acrescentou: "Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça! "

sábado, 30 de maio de 2020

Eclesiastes 3 - Latim



1. omnia tempus habent et suis spatiis transeunt universa sub caelo

2. tempus nascendi et tempus moriendi tempus plantandi et tempus evellendi quod plantatum est

3. tempus occidendi et tempus sanandi tempus destruendi et tempus aedificandi

4. tempus flendi et tempus ridendi tempus plangendi et tempus saltandi

5. tempus spargendi lapides et tempus colligendi tempus amplexandi et tempus longe fieri a conplexibus

6. tempus adquirendi et tempus perdendi tempus custodiendi et tempus abiciendi

7. tempus scindendi et tempus consuendi tempus tacendi et tempus loquendi

8. tempus dilectionis et tempus odii tempus belli et tempus pacis

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Coronavírus V




Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.  
Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra. 
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque eles serão fartos.   
Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia. 
Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.
Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Puccini- Tosca



E lucevan le stelle,
E olezzava la terra,
Stridea l'uscio dell'orto
E un passo sfiorava la rena.
Entrava ella, fragrante,
Mi cadea fra le braccia.
Oh! dolci baci, o languide carezze,
Mentr'io fremente
Le belle forme disciogliea dai veli!
Svanì per sempre il sogno mio d'amore...
L'ora è fuggita,
E muoio disperato!
E non ho amato mai tanto la vita !

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Do Pó viemos ao Pó retornaremos ...



É preciso humildade ...

É preciso paciência...

Poucos entendem ...

As vezes ainda é preciso mais  tempo para compreender ...


Deus olha com carinho 
observa com isenção 
e não julga ninguém !!!


A todos são presenteadas as oportunidades durante toda uma Vida.

Não cabe desculpas, 
se alguém não as usa.

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Coronavírus IV




Coronavírus, alguém está enxergando algo ?


Na verdade acho que somente os profetas desempregados é que estão vendo ... primeiro o próprio desemprego, segundo o desemprego alheio ...


Porém é preciso ser 

sempre Otimista !


Talvez encontrar este otimismo em momentos de escuridão como agora, seja a genialidade do momento !


Entre tantas, uma prioridade já foi eleita : Sobreviver !


Sem a convivência física dos amigos, parentes e colegas que sequer percebíamos.


Parece que o tempo parou.

Mas ele não parou, está aí passando com a mesma velocidade de sempre.


Nós que eventualmente ficamos mais lentos  por estarmos amarrados as amarras que criamos em torno de nós, e dependendo do tamanho, apelidamos gentilmente de muros de proteção ou um dia descobrimos que são apenas nós do nosso cérebro noz.


É preciso um esforço muito grande para não sucumbirmos ao marasmo mortífero que nos leva ao campo santo espiritual.


Ressuscitar é a nova palavra de ordem, redobrando a atenção,  pois a nova semeadura faz-se em terreno infértil ... portanto precisamos levar o fertilizante que eventualmente temos dentro de nós.


Re- Aprender a plantar ... 

Re- Aprender  a aguar ...

Re - Aprender a cuidar ...

Re - Aprender a Sobreviver ...


Que Deus nos Ilumine !!!



Marco Coiatelli

Brasília 

20-V-20




domingo, 17 de maio de 2020

Fernando Pessoa



"Basta pensar em sentir
Para sentir em pensar.
Meu coração faz sorrir
Meu coração a chorar.
Depois de parar de andar,
Depois de ficar e ir,
Hei de ser quem vai chegar
Para ser quem quer partir.

Viver é não conseguir."

FERNANDO PESSOA

domingo, 3 de maio de 2020

Vinicius de Moraes (1913-1980)



Deliciosa Carta de Vinícius de Moraes para Tom Jobim
 
*_"Caro Tonzinho, estou em Paris, num hotel com sacada sobre uma praça, que dá para toda solidão do mundo e diz:_*
 *_Procura-se um amigo. Não precisa ser homem, basta ser humano, ter sentimento, ter coração. Precisa saber falar e saber calar no momento certo. Sobretudo, saber ouvir._*
 *_Deve gostar de poesia, da madrugada, de pássaros, do sol, da lua, do canto dos ventos e do murmúrio das brisas. Deve sentir amor, um grande amor por alguém, ou sentir falta de não tê-lo. Deve amar o próximo e respeitar a dor alheia. Deve guardar segredo sem sacrifício._* 
 *_Não precisa ser puro, nem totalmente impuro, porém, não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e sentir medo de perdê-lo. Se não for assim, deve perceber o grande vazio que isso deixa. Precisa ter qualidades humanas. Sua principal meta deve ser a de ser amigo. Deve sentir piedade pelas pessoas tristes e compreender a solidão._* 
 *_Que ele goste de crianças e lastime as que não puderam nascer e as que não puderam viver. Que goste dos mesmos gostos. Que se emocione quando chamado de amigo. Que saiba conversar sobre coisas simples e de recordações da infância._* 
 *_Precisa-se de um amigo para se contar o que se viu de belo e triste durante o dia;_* *_das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças d’água, de beira de estrada, do cheiro da chuva e de se deitar no capim orvalhado._* *_Precisa-se de um amigo que diga que a vida vale a pena, não porque é bela, mas porque já se tem um amigo. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo._*
 *_Deve ser Don Quixote sem contudo desprezar Sancho. Precisa-se de um amigo para se ter consciência de que ainda se vive.”_*

sábado, 2 de maio de 2020

BOOKS 3/2020



BOOKS 3/2020


22.

Emilio Salgari 

Il Re della Prateria

Oscar Mondadori 



23.

Paulo Barreto (João do Rio)

1881-1921)

Cadeira XXVI

Discurso ABL em 17 agosto 1910

Recepção de Coelho Neto 



24.

Pedro Lessa (1859-1921)

Cadeira XI

Discurso ABL em 6 setembro 1910

Recepção Clóvis Beviláqua



25.

Martins Pena

O Noviço (1845)

Escritores dos países de Lingua Portuguesa 

Imprensa Nacional -

Casa da Moeda 



26.

Joaquim Manuel de Macedo

A Torre em Concurso (1861)

Escritores dos países de Lingua Portuguesa 

Imprensa Nacional -

Casa da Moeda 



27.

Castro Alves (1847-1871)

Gonzaga, ou A revolução de Minas (1867)

Escritores dos países de Lingua Portuguesa 

Imprensa Nacional -

Casa da Moeda 



28.

Anthologie Bilingue 

de la Poésie Espagnole 

  • Carlos Sahagún 
  • Antonio Martinez Sarrión
  • José María Álvarez 
  • Jose Luiz Giménez Frontín
  • Jose Miguel Ullán
  • Félix de Azúa 
  • Pedro Gimferrer 
  • Antonio Collinas 
  • Guillermo Carnero
  • Leopoldo Maria Panero
  • Jaime Siles 
  • Luis Antonio de Villena 
  • Blanca Andreu
  • Juan Ramón Jiménez 
  • León Felipe



29.

Euclides da Cunha (1866-1909)

Cadeira VII

Discurso ABL

em 18 de dezembro de 1906

Recepção de Silvio Romero 

Discurso ABL



30.

Artur Jaceguai (1843-1914)

Cadeira VI

Discurso ABL

em 9 de novembro de 1907

Recepção de Afonso Arinos 



31.

Virginia Woolf

A arte da brevidade 

Contos 

Tradução de Tomaz Tadeu

Editora Autêntica 



32.

Augusto de Lima (1859-1934)

Cadeira XII

Discurso ABL

em 5 de dezembro de 1907

Recepção: Medeiros e Albuquerque



33.

Gabriela Mistral (1889-1957)

Nobel 1945

Ternura (1924)

Real Academia Española 











quarta-feira, 29 de abril de 2020

Oliveira Lima (1867-1928)




PERFIL DE DOM JOÃO VI

Dom João VI não foi o que se pode chamar um grande soberano, de quem seja lícito referir brilhantes proezas militares ou golpes audaciosos de administração: não foi um Frederico II da Prússia nem um Pedro I da Rússia. O que fez, o que conseguiu, e não foi afinal pouco, fê-lo e conseguiu-o, no entanto, pelo exercício combinado de dous predicados que cada um deles denota superioridade: um de caráter, a bondade; o outro de inteligência, o senso prático ou de governo. Foi brando e sagaz, insinuante e precavido, afável e pertinaz.

De sua amablidade contam-se traços de cativar. Quando a Arquiduquesa Leopoldina, após a cerimônia do casamento, chegou a São Cristóvão, que tinha sido preparado para receber os nubentes, encontrou nos seus aposentos particulares o busto do Imperador da Áustria, seu pai, e o Rei fez-lhe entrega, para que lesse e se distraísse, de um livro que, ao abrir e folhear, verificou ela comovida conter os retratos de toda a família ausente. (1)

Para avaliar sua esclarecida equidade, basta referir o que observou o cônsul Henderson: que os ingleses residentes no Rio, quando lhes ocorriam dificuldades sérias com a administração, preferiam muito dirigir-se diretamente ao monarca, sempre disposto a fazer justiça, a entender-se com seus ministros. Frequentes vezes na sua (2) obra, autor britânico elogia a cordura, a benignidade e o liberalismo de Dom João VI, que um escritor dos nossos dias (3) , confundindo a miragem com a perspectiva, intitula com mais espírito do que verdade histórica um “real fantoche”.

Também o ministro americano Sumter dizia gostar incomparavelmente mais de tratar com o Rei, cuja bondade reconhecia e proclamava, do que de tratar com seus conselheiros, sobre quem lançava a culpa de quanto pudesse suceder de mau. “Fala em termos favoráveis do Rei, mas julga péssima a condição da sociedade e altamente desaprova os mil vexames e abusos praticados com o povo em nome do Governo.” (4) Tão longe estava aquele diplomata de considerar o Rei uma nulidade, que nele admitia vontade sincera de cultivar boa inteligência e amizade com os Estados Unidos, reputando-o em tal assunto muito mais adiantado do que os seus cortesãos.

São traços todos esses mais autênticos e fidedignos na sua simpática nobreza de que as anedotas picarescas que valeram a Dom João VI um renome - talvez não usurpado se contido nos limites do desenho e não puxado até a caricatura - de desmazelo bonacheirão e de esperteza saloia, uma auréola barata de bonhomme Richard coroado, uma fama de rei filósofo, que apimentavam suas desventuras conjugais e a que emprestava verossimilhança o seu físico ingrato, homely como bruscamente o qualificou Prior.

Baixo, gordo, sanguíneo, tinha de aristocrático as mãos e pés muito pequenos, mas de vulgar as coxas e pernas muito grossas mesmo em relação à corpulência, e sobretudo um rosto redondo sem majestade nem sequer distinção, no qual avultava o lábio inferior espesso e pendente dos Habsburgos, sem, porém, a maxila protuberante e o queixo pontudo de alguns dos príncipes austríacos, cujos retratos nos foram legados por célebres artistas - que decerto não aninhariam tal propósito maldoso - como exemplares indiscutíveis de degenerescência.

Em Dom João VI as imperfeições de todo ser humano não chegavam para que desmerecessem as sólidas qualidades. Se era tímido, pusilânime mesmo, como tal egoísta, ressentido, ciumento de atenções, amigo de monopolizar as deferências e inimigo de perdoar os agravos menores, também era clemente, misericordioso nas grandes ocasiões quando se fazia apelo direto ao seu coração, arguto em qualquer emergência, raramente ou nunca perdendo o equilíbrio moral, tão generoso para com seus fâmulos e validos quanto econômico consigo, estudioso aferrado dos negócios públicos e governante invariavelmente bem-intencionado. Eram aqueles em suma pequenos defeitos a contrapor a um belo conjunto de virtudes, raro num monarca despótico.

Seu senso político revelou-se em muita ocasião. Um dos mais fracos soberanos da Europa, vimos ter sido o único que escapou às humilhações pessoais por que fez Napoleão passar os representantes do direito divino: os Bourbons da Espanha e da Itália, ludibriados, depostos, vagabundos ou cativos; o Rei da Prússia, expulso dos seus Estados; o César austríaco, compelido a implorar a paz e conceder ao aventureiro corso a mão de sua filha; o próprio Czar, ora tendo que aceitar intimidades em entrevistas memoráveis, ora que rebater a invasão devastando províncias do seu Império.

 

(1) Debret, Voyage Pittoresque, vol. III.

(2) A History of the Brazil.

(3) Paul Groussac, no est. cit. sobre S. Liniers.

(4) Brackenridge, Voyage to South America, performed by order of the American Government in the years 1817 and 1818, in the Frigate Congress, Baltimore, 1819. O Autor ia como secretário dessa missão política ao Rio da Prata, mandada inquirir da situação das Províncias Unidas.

(Dom João VI no Brasil, 1909)

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Augusto de Lima (1859-1934)





RISO E PRANTO


Duas frações o grande todo humano

Encerra: uma que ri, outra que chora.

Dúplice monstro, contrastado Jano,

Tem numa face - a noite, e noutra - a aurora.

 

Mas em seu seio eternamente mora,

Como o polipo no profundo oceano,

A dor que o riso mentiroso enflora,

A mesma dor que verte o pranto insano.

 

Basta que riso ou lágrima ressume

Da contração de um músculo irritado,

Temos amor, pesar, ódio ou ciúme.

 

Nem sempre o riso é uma expressão de agrado,

E às vezes quem mais chora se presume

Feliz, por parecer mais desgraçado.

 

                        (Símbolos, 1892)

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Goulart de Andrade (1881-1936)




POR QUÊ?

Ris, se digo que és boa; e se te digo
Que és má, tomas um ar de indiferença...
Fazes um gesto vago de descrença,
Quando afirmo serei teu muito amigo...

Se de tuas promessas te desligo,
Amuas-te; e é fatal a desavença,
Ao te falar da gratidão imensa
E do respeito meu para contigo...

Se as mãos te beijo, cedes; mas, fremente,
Se a procuro, essa boca me resiste!...
Enfado-me, gargalha loucamente!

Não sei, porém, se alta razão te assiste,
Se a atitude é de sábio ou de demente,
Quando, ao jurar que te amo, ficas triste!

(Ocaso, 1934.)

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Pedro Salinas





 Pedro Salinas 


Ayer te besé en los labios...

Ayer te besé en los labios. 
Te besé en los labios. Densos, 
rojos. Fue un beso tan corto, 
que duró más que un relámpago, 
que un milagro, más. El tiempo 
después de dártelo 
no lo quise para nada ya, 
para nada 
lo había querido antes. 
Se empezó, se acabó en él.

Hoy estoy besando un beso; 
estoy solo con mis labios. 
Los pongo 
no en tu boca, no, ya no... 
-¿Adónde se me ha escapado?-. 
Los pongo  
en el beso que te di 
ayer, en las bocas juntas 
del beso que se besaron. 
Y dura este beso más 
que el silencio, que la luz. 
Porque ya no es una carne 
ni una boca lo que beso, 
que se escapa, que me huye. 
No. 
Te estoy besando más lejos.