Seguidores

sábado, 20 de dezembro de 2014

ROBERTO CAMPOS (1917-2001)


A globalização e nós

Um pensador de ótica social - democrática, Anthony Giddens, observou recentemente que poucos termos são freqüentemente usados, e tão pobremente conceptualizados, quanto “globalização”. Para alguns, representa uma internacionalização sem precedentes da vida econômica e política; seria o colapso das fronteiras, anunciando câmbios fundamentais na sociedade e na cultura. É tipicamente a turma do “fim”; o fim da História, o fim do trabalho, o fim da família. Para a comunidade internacional dos negócios é a perspectiva do crescimento incontido do mercado. Para os “hiperglobalizantes”, prenuncia a vitória dos mercados sobre o Estado, e, assim, uma reconfiguração do mapa político do mundo, com base em cidades-Estado e regiões econômicas, em vez de estados nacionais. Já os “céticos da globalização”, como P. Hirst, dão-se à pachorra de mostrar que a economia mundial esteve mais integrada no começo do que no fim do século XX.
Mas que há algo profundamente novo, isso há. P. Sutherland, hoje diretor gerente da Goldman Sachs Internacional, no auge da crise financeira mundial, em 98, depois da genuflexão ideológica de praxe às virtudes da globalização, reconhece que ela fez a vida difícil para muitos. Ameaça deixar parte do mundo para trás, e assusta tanto os ricos (que temem perder seus padrões de vida) quanto os pobres (que se sentem cada vez mais distantes do Primeiro Mundo). Alguns desses efeitos provêm de outras causas facilmente identificadas (câmbios tecnológicos, deficiências educacionais, mercados de trabalho inflexíveis, impostos altos, e uma força de trabalho em envelhecimento). Mas a galera acha que as causas da angústia são o comércio e os investimentos globais.
E que fazer de problemas que surgem de um sem-número de causas que é impossível compreender totalmente e que tendem a ficar cada vez mais complicados, como a degradação ambiental, as doenças, o crime, o terrorismo, as pressões migratórias incontroláveis?
O economista americano R. Kuttner, que se intitula um “liberal” (o que nos Estados Unidos indica tendências esquerdistas), afirma que a grande conquista deste século foi domesticar a força bruta do capitalismo laissez-faire. Através de políticas macroeconômicas ativas e da regulamentação das tendências autodestrutivas dos mercados, o capitalismo teria colocado um piso em baixo da força de trabalho. Recorreu a investimentos políticos diretos, para cura das recessões, e adotou normas ambientais. Tudo isso gerou um capitalismo mais eficiente e ao mesmo tempo mais socialmente aceitável, temperando os extremos de volatilidade e desigualdade.
É claro que as esquerdas brasileiras neoburras não concordam. Acham que esta história de neoliberalismo são idéias da burguesia e dos seus intelectuais para “aniquilar uma seção da nossa sociedade”. Isso representa um pouco o lado obscuro do espírito, que precisa de inimigos misteriosos e de forças ocultas para juntar coisa com coisa. Quando o Papa Inocente VIII, no final do século XV, com a assistência técnica de dois monges alemães, Kramer e Sprenger, inaugurou, através da bula “Summi Desiderantes”, a fase “moderna” da Inquisição, estava apenas expressando aquilo que no seu tempo era um pensamento.
Pensamento generalizado. Acreditava-se que forças demoníacas estavam operando às escondidas. Houve uma febre repressiva que se estendeu a leigos e protestantes, nobres e camponeses, doutos e ignorantes, cavaleiros e juristas, que passaram todos a acreditar em coisas absurdas, como a existência de relações sexuais com o Belzebu.
Já tivemos demonologias de muitos tipos. Ainda peguei as purgas de Stalin, e vi de perto, há quase 50 anos, o fenômeno do macarthismo, nos Estados Unidos. Baixando o nível de tragédia para o carnaval, tivemos aqui as “forças ocultas” com Vargas e Jânio.
Voltando, porém, à globalização. O que acabou com a crença num universo movido à feitiçaria foi uma “inovação” que rendeu pouco a um empresário de nome Johannes Gutenberg não foi “a” causa. Inúmeras variáveis entraram no processo: avanços tecnológicos, do plantio do nabo à metalurgia das armas de fogo, ao aperfeiçoamento da construção naval, à astronomia de Copérnico e Kepler, à física experimental de Galileu aos descobrimentos geográficos. Só que neste último século e meio a aceleração científica, tecnológica e econômica tornou-se prodigiosa. Mudanças que se davam ao longo de gerações e de décadas foram encurtadas para anos ou meses. E o complexo IC ( informação e comunicações), possibilitando a interação face a face entre gente de todas as partes, encolheu o mundo a uma aldeia virtual. Só para dar uma idéia, em 1942 o valor dos ativos intangíveis das empresas americanas cotadas em bolsa (Índice Dow Jones), que em 1920 era estimado em 87% dos ativos tangíveis (instalações, máquinas, estoques etc.) , caiu para quase zero, e na metade dos anos 90 já era umas quatro vezes maior do que estes! 
É o que a economia do conhecimento está fazendo. Hoje a Microsoft vale mais que a General Motors. Os clicks ( toques de computador) valem mais que os bricks (tijolos). 
Há aquela história da diferença entre um psicótico e um neurótico. Aquele acha que 2 mais 2 são 5, enquanto que este sabe que são 4, mas não tolera a idéia. A globalização é um processo que está acontecendo - sem pedir licença a nenhum de nós. Acentuo a palavra “processo”. Vai ser penoso para alguns, mas, com o tempo, vantajoso para a maioria. Sobretudo, porém, é um dado da realidade, a partir do qual temos de colocar-nos, tanto quanto possível, com uma visão estratégica, procurando antever os custos e benefícios das sucessivas jogadas ao longo do tempo. Reanimar esquemas estáticos pensados para os problemas de 1950, como fazem nossos neonacionalistas, não é o portal de entrada no século XXI.


Jornal O Globo - Rio de Janeiro - RJ, 20/02/2000

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Um dia ...


Um dia perguntaram a Giovanni :

O que é ser Feliz ?

Ele respondeu :

Amar a Mulher que eu Amo 

e ter a Mulher que me Ama !!!

Simples assim !!!

Não tão simples ...

Sabem os que buscam !!!

Sabem os que encontram !!!

A Vida é feita de Surpresas 

e muita Fé !!!

Amém !!!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Percebi ...



Percebi que só entendo 
metade do que vejo ...

Percebi que só consigo compreender, 
meia hora do que ouço ...

Percebi que de tanto buscar ..
Pouco encontrei ...

Percebi que em nada buscando ...
Tudo encontro !


18- XII -14
Marco Coiatelli

LÊDO IVO


quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

MANUEL ALEGRE




O PRIMEIRO POEMA DE SÃO CAETANO

E disse Raul Brandão
"o melhor de uma ilha
é a ilha em frente".
Mas não.
O melhor de uma ilha
é a ilha ausente.
Aquela talvez
sequer exista.
E é a que vês
sem ser vista.


Do Livro:
Escrito no Mar
pág 672, Obra Completa
Publicações Dom Quixote

INNOCÊNCIO VIÉGAS



Papai Noel, Gepeto e Steve Jobs

De uns tempos pra cá, Papai Noel vem sentindo dificuldade para cumprir a sua eterna missão de levar a alegria às crianças com seus presentes, e a todas as pessoas que nesse período natalino abrem o coração, alegram a alma, abraçam todos os amigos e, transformam a vida na alegria que deveriam ter o ano todo.
Os pedidos se modificaram. As cartas para a Lapônia agora são Email e só as crianças mais humildes pedem bolas, bonecas, bicicletas, piões e tudo aquilo que antigamente alegrava a meninada.
As crianças mais abastadas pedem brinquedos para ficarem sentadas, não falam umas com as outras e as conversas pelo celular, mesmo sendo alegres, não lhes proporcionam uma boa gargalhada, a que é retratada na telinha com as letras kkk ou HeHeHe.
Enquanto as “antigas” crianças jogam bolas, penteiam e vestem suas bonecas, rodam seus piões, disparam a teia do Homem Aranha; outras olham desenhos, jogam consigo mesmas e às vezes perdem, e ficam brabas. Quando conversam pelo Whats App continuam ouvindo a voz da gravação sem a presença física do colega, sem a oportunidade de abraçá-lo carinhosamente.
Dia desses eu estava no Shopping, abancado em uma gostosa poltrona, lendo um livro – O poder do jardim – enquanto a Bel ia às compras. Nisso chega uma jovem senhora, elegante, com três filhos. Uma menina e dois meninos que aparentavam ter entre oito e dez anos. Os deixou ali – frente à Loja – passou pelo Papai Noel que estava na porta, deu-lhe um sorriso e sumiu no mundo das roupas, calçados, perfumes e brinquedos. 
Logo imaginei que as crianças ficariam alegres com o Papai Noel, que brincariam e dariam muitas risadas. Qual nada! Cada um ocupou uma poltrona, dirigiu o olhar para o seu celular e o mundo silenciou.
Parei a leitura e fiquei a observá-los. Depois de um bom tempo, deixei cair a caneta, o que chamou a atenção de um deles que veio correndo em meu socorro, ajuntou a caneta – cordialmente – e deu-me um sorriso. Agradeci. Ele ia saindo quando lhe perguntei.
– Vô, a gente conversa pelo celular, quer olhar? Encostou o dedinho na tela e apareceu a mensagem, com umas letrinhas que tive dificuldade em ler. O menino leu para mim: “Mana, o teu namorado lá da escola estava conversando com a Carlinha e deu um beijo nela”. Logo perguntei o que a “Mana” respondeu. Ele tocou outra vez na tela, correu o dedinho para cima e apareceu a resposta: “Tô nem aí” kkk.
– Viu vô? Ela fez foi rir. Disse isso, saiu e foi para a sua poltrona. A Bel chegou. Saímos para outras compras. Fui pensando com os meus botões. Papai Noel a essas alturas já aposentou o idoso Gepeto com seus brinquedos de madeira.
Devolveu para o circo os brinquedos do saudoso palhaço e convocou o Steve Jobs para fazer os brinquedos eletrônicos da moda para a garotada. Sinal dos tempos? Não! É o tempo com “sinal” da Internet.
Papai Noel já mandou enfeitar o seu trenó com lâmpadas de Led, trocou as renas por um foguete espacial e não sorri como antigamente quando soltava o seu gostoso Hô!Hô!Hô! Ele agora escreve nas nuvens: KKK e HeHeHe.
Mas o menino Jesus, o aniversariante perdoa todos pois Ele sabe que “onde a caridade é verdadeira Deus está alí” Agradece aos que se lembram d’Ele e, não tendo um Tablet, pede emprestado as Tábuas de Moisés, e escreve com o dedo a Sua mensagem secular.

Feliz Natal!
Feliz Natal! 

Feliz Natal!

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

GUIOMAR - MACHADO DE ASSIS (1839-1908)

 


Há criaturas que chegam 
aos cinquenta anos 
sem nunca passar dos quinze, 
tão símplices, tão cegas, 
tão verdes as compõe a natureza; 
para essas o crepúsculo 
é o prolongamento da aurora.

Outras não; 
amadurecem na sazão das flores; 
vêm ao mundo 
com a ruga da reflexão no espírito - 
embora, sem prejuízo do sentimento, 
que nelas vive e influi, mas não domina. 
Nestas o coração nasce enfreado; 
trota largo, vai a passo ou galopa,
como o coração que é,
mas não dispara nunca, não se perde 
nem perde o cavaleiro.



Capitulo X 
A relevação
Do Romance:
A Mao e a Luva
Machado de Assis 




segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

SIMONE



Escrever é tão difícil, 
mas necessário pra desaguar os sentimentos que me afogam, 
vindos do peito, saindo pela boca. 

Sou textualmente inteira, literalmente sentimental, 
mas racionalizo as emoções – como se possível fosse. 

No limite da criação do texto me vejo acuada e só, 
é a escrita que me remove o medo e a solidão. 

Daí nasce o texto, desse parto textual de descomunais sentimentos! 
Porque tanto sofrer nesse oficio de transcrever sentimentos em palavras? 
E me responde o texto nascituro: 
Porque ainda não era a hora de nascer. 
Escrever não é um exercício fácil !

domingo, 14 de dezembro de 2014

Leonard Cohen - I'm Your Man



Para você ...
Meu Amor ...


If you want a lover,
I'll do anything you ask me to
And if you want another kind of love,
I'll wear a mask for you
If you want a partner, take my hand
Or if you want to strike me down in anger,
Here I stand
I'm your man

If you want a boxer,
I will step into the ring for you
And if you want a doctor,
I'll examine every inch of you
If you want a driver, climb inside
Or if you want to take me for a ride,
You know you can
I'm your man

Ah, the moon's too bright
The chain's too tight
The beast won't go to sleep
I've been running through these promises to you
That I made and I could not keep
But a man never got a woman back,
Not by begging on his knees
Or I'd crawl to you baby
And I'd fall at your feet
And I'd howl at your beauty
Like a dog in heat
And I'd claw at your heart
And I'd tear at your sheet
I'd say please, please
I'm your man

And if you've got to sleep
A moment on the road,
I will steer for you
And if you want to work the street alone,
I'll disappear for you
If you want a father for your child,
Or only want to walk with me a while
Across the sand
I'm your man

(If you want a lover)
Songwriters: COHEN, LEONARD

sábado, 13 de dezembro de 2014

O BARCO !!!



VOLTEMOS 
AO BARCO !!!
ETERNA INSPIRACAO !!!

TALVEZ O MOMENTO 
DE PREPARA-LO...
PARA UMA NOVA VIAGEM...