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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

CARONTE (2/2) - CECÍLIA MEIRELES


CARONTE

Rema com doçura, rema devagar:
não estremeças este plácido lugar.

Pago-te em sonho, pago-te em cantiga,
pago-te em estrela, em amor de amiga.

Dize, a voz dos deuses onde principia,
neste mundo vosso, de perene dia ?

Caronte, narra mais tarde, a quem vier,
como a sombra touxeste aqui de uma mulher

tão só, que te fez seu amigo;
tão doce -ADEUS !- que cantava até contigo ! 



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