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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

LÊDO IVO - NOBEL (5/5)


Para quem pensa em Lêdo Ivo só como poeta, diga-se que ele é também grande romancista, autor de cinco obras no gênero. Seu romance Ninho de cobras (1973) foi traduzido para o inglês, sob o título Snake’s Nest, e em dinamarquês, sob o título Slangeboet. É um romance de feitura inovadora, repleto das figuras de linguagem que costuma utilizar em seu fazer poético, que recupera a Maceió da década de 1930, à época do governo de Getúlio Vargas (1882-1954) que redundaria na ditadura do Estado Novo (1937-1945).

Trata-se de uma bem elaborada crítica dos regimes de força que manietaram o Brasil durante boa parte do século XX, uma denúncia do comportamento hesitante e apático da maioria da população que sempre assistiu, indiferente, ao assassinato daqueles que ousavam ir contra os poderosos do dia. E que, lido hoje pelas novas gerações, pode constituir um bom alerta para quem ainda dá ouvido a alguns nostálgicos dos regimes de força, que sempre começam pelo pretexto do combate à corrupção política e acabam num mar de sangue.
Mas não foi só o romance de Lêdo Ivo que encontrou boa receptividade em outros idiomas. Sua poesia está espalhada também pelo mundo hispânico. No México, saíram várias coletâneas de seus poemas, entre as quais La imaginaria ventana abierta, Oda al crepúsculo, Las pistas e Las islas inacabadas. Em Lima, Peru, foi editada uma antologia, Poemas, e na Espanha saiu a antologia La moneda perdida. Antologias de seus poemas já foram traduzidas para o inglês por Kerry Shawn Keys (Landsend: selected poems, Pennsylvania, Pine Press, 1998), para o holandês por August Willemsen (Poetry, Roterdã, Poetry International, 1993; Vleermuizen em blawe krabben, Sliedrecht, Wagner & Van Santen, 2000) e para o italiano por Vera Lucia de Oliveira (Illuminazioni, Salerno, Multimidia Edizioni, 2001).
Em Portugal, críticos do quilate de João Gaspar Simões (1903-1987) e, mais recentemente, Eugénio Lisboa, escreveram artigos em que destacaram a excelente qualidade da poesia de Lêdo Ivo. Gaspar Simões, inclusive, chegou a escrever que, se existisse uma Jerusalém celestial à parte destinada aos poetas, Lêdo Ivo seria um dos escolhidos, o que, praticamente, foi dito com outras palavras por Fausto Cunha, para quem o poeta “será um dos poucos que ficarão”. Por tudo isso, seria recomendável que as instituições que podem fazê-lo começassem a pensar em apresentar o nome de Lêdo Ivo à Academia Sueca. Afinal, está na hora de a Literatura Brasileira também conquistar o seu Prêmio Nobel.
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A TRAJETÓRIA POÉTICA DE LÊDO IVO: TRANSGRESSÃO E MODERNIDADE, de Assis Brasil. Rio de Janeiro, Educam, 2004, 284 págs. E-mail: hneto@candidomendes.edu.br
POESIA COMPLETA: 1940-2004, de Lêdo Ivo, com estudo introdutório de Ivan Junqueira. Rio de Janeiro: Topbooks/Braskem, 2004, 1099 págs. E-mail: topbooks@topbooks.com.br
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(*) Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002) e Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003). E-mail: marilizadelto@uol.com.br

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